Justiça mantém Bruno Henrique, do Flamengo, como réu por estelionato
Bruno Henrique é acusado de forçar cartão amarelo no jogo entre Flamengo e Santos, realizado em 2023, em Brasília. Decisão é do TJDFT

O atacante Bruno Henrique, do Flamengo, teve uma grande derrota nessa quarta-feira (10/6). O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) recusou o recurso do atleta e o manteve como réu por estelionato.
A acusação sobre Bruno Henrique é de ter forçado cartão amarelo para beneficiar apostadores em jogo do Campeonato Brasileiro. A partida em questão foi entre Santos e Flamengo, em 2023, em Brasília.
Em trecho da decisão proferida pelo desembargador Jair Soares, ele destaca os alertas emitidos pelas casas de apostas, que informaram as autoridades sobre apostas em um possível jogo manipulado.
“A representação para os crimes de ação penal pública condicionada não exige formalidade específica, bastando a demonstração inequívoca do interesse da vítima na persecução penal, cuja aferição, em sede de recurso especial, não pode exigir reexame de provas, sob pena de violação da Súmula n. 7/STJ.”
Além de Bruno Henrique, outras oito pessoas também tiveram recursos negados pela Justiça do Distrito Federal. Entre elas estão Wander Nunes Pinto Júnior, irmão do jogador, e Ludymilla Araújo Lima, cunhada do atleta. Caso sejam condenados, o grupo pode receber pena de um a cinco anos de prisão.
Confira a íntegra da decisão
A acusação
O atacante do Flamengo é acusado de manipulação de resultados por dar informações privilegiadas a apostadores às vésperas da partida contra o Santos, em 31/10/2023. Segundo o órgão, o jogador teria enviado uma mensagem ao irmão reiterando que cumpriria a promessa de receber um cartão amarelo durante o jogo.
Relembre o caso
- Bruno Henrique, que já estava pendurado com dois cartões, fez uma falta em Soteldo, na época do Santos, no campo de ataque. O árbitro Rafael Klein aplicou o cartão amarelo. Em seguida, o jogador reclamou de forma ostensiva e acabou expulso.
- Em 1º de agosto de 2025, a Procuradoria do STJD denunciou Bruno Henrique e mais quatro pessoas por manipulação de resultados envolvendo apostas esportivas.
- Segundo a acusação, o atacante do Flamengo teria arbitrariamente cometido faltas para receber punições e beneficiar apostadores.
- Bruno Henrique também foi indiciado pela Polícia Federal em abril de 2025 após acusação de fraude esportiva, denunciado no artigo 200 da Lei Geral do Esporte — fraudar, por qualquer meio, ou contribuir para que se fraude, de qualquer forma, o resultado de competição esportiva ou evento a ela associado.
- Além do jogador, o órgão acusador denunciou mais quatro atletas amadores: o irmão do jogador do Flamengo, Wander Nunes Pinto Junior, além de Claudinei Vitor Mosquete Bassan, Andryl Sales Nascimento dos Reis e Douglas Ribeiro Pina Barcelos (todos amigos de Wander).
- Bruno Henrique conseguiu evitar uma punição mais severa no âmbito esportivo. A defesa do jogador convenceu o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) de que não houve intenção de prejudicar o próprio time, argumento que impediu o enquadramento no artigo mais grave do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD).
- Pelo STJD, Bruno Henrique foi liberado para jogar pelo Flamengo, mas teve que pagar uma multa estipulada em R$ 100 mil.
- Bruno e o irmão, Wander — também alvo da operação da PF em novembro do ano passado — trocaram mensagens em 29 de agosto, quando Wander questionou o irmão sobre ele estar pendurado no Brasileirão. O indiciamento foi revelado com exclusividade pelo Metrópoles.
- Para a PF, as trocas de mensagens indicam que Bruno Henrique teria passado ao irmão informações antecipadas sobre o recebimento de cartão amarelo no confronto contra o Santos.
Confira as conversas entre Bruno Henrique e Wander Pires:
























