Italo Ferreira: das “pranchas” de isopor ao topo do surfe mundial

Brasileiro se tornou campeão mundial nessa quinta-feira (19/12/2019) nas ondas de Pipeline

Reprodução/Instagram

atualizado 20/12/2019 6:56

Natural de Baía Formosa, no litoral do Rio Grande do Norte, Italo Ferreira desde cedo se apaixonou pelo mar e pelas ondas. Seu pai, que trabalhava como pescador, costumava emprestar parte do isopor onde gelava os peixes para o garoto das suas primeiras braçadas na água. A brincadeira virou coisa séria, ele ganhou uma prancha de presente de um parente e logo mostrou talento.

Só que a condição financeira da família, sem tantos recursos, era uma dificuldade no início, pois para participar de competições era necessário pagar inscrição, viajar e ter uma estrutura mínima. Mas Italo nunca desistiu do sonho de ser surfista profissional e via naquela brincadeira uma possibilidade de ter um trabalho que se identificasse.

O talento dele como atleta fez com que estreasse no Circuito Mundial de Surfe em 2015. Na ocasião, chamou atenção pelo seu estilo arrojado e teve até bons resultados, como o segundo lugar na etapa de Peniche, em Portugal, e uma semifinal no Oi Rio Pro. No final do ano, foi agraciado com o prêmio de estreante do ano na modalidade.

Para além dos feitos, no final de 2015 ele recebeu um enorme elogio de Kelly Slater, 11 vezes campeão mundial. “Ele chocou as pessoas que não o conheciam tão bem, principalmente fora do Brasil, mas o que posso dizer é que ele é muito bom em qualquer condição de mar. Ele tem força para ondas grandes, dá aéreos em ondas menores e é muito competitivo”, afirmou.

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Desde então, Italo foi crescendo no cenário internacional e amadurecendo seu lado competitivo. Em 2016 teve uma temporada irregular, no ano seguinte se machucou e perdeu parte do calendário de etapas, mas em 2018 ganhou três eventos e por pouco não chegou ao Havaí com chance de título. Desta vez, manteve o foco e se recuperou na reta final da temporada para garantir seu primeiro troféu.

Italo é um surfista talentoso, muito bem preparado e com enorme carisma. Costuma mostrar raça nas disputas, já teve grandes derrotas e sabe que não é imbatível. De qualquer forma, ele entra como um dos favoritos na próxima temporada e também candidato ao pódio nos Jogos Olímpicos de Tóquio, quando o surfe fará sua estreia no programa.

Como rivais em 2020, terá o havaiano John John Florence, bicampeão mundial e que neste ano se machucou na quinta etapa do Circuito Mundial, quando liderava, e não pôde buscar o terceiro título. E também os brasileiros Gabriel Medina e Filipe Toledo, que tiveram um bom ano e devem mais uma vez brigar até o fim pelo troféu. São os jovens surfistas ditando o ritmo em uma modalidade que atrai cada vez mais torcedores e patrocinadores.

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