Após confusão na Rússia, CBF decide mandar assessor de volta ao Brasil

Gilberto Barbosa deve voltar ao país nesta sexta-feira. Envolvidos podem ser punidos, inclusive com afastamento do restante do Mundial

atualizado 22/06/2018 16:12

Rafael Ribeiro / CBF

O assessor da presidência da CBF Gilberto Barbosa foi desligado da delegação que está na Rússia e voltará ao Brasil, possivelmente ainda nesta sexta-feira (22/6). Ele se envolveu em um incidente nessa quinta-feira (21) em um restaurante em São Petersburgo e acertou um torcedor brasileiro, identificado como Alexandre Nazareno, com um copo.

A confusão aconteceu após Nazareno, segundo relatos de testemunhas, ter ofendido e tentado agredir o presidente da entidade, coronel Antônio Carlos Nunes. Nazareno – que é paraense, assim como o coronel Nunes – teria se dirigido ao cartola com ofensas a ele e à mulher. O torcedor também teria dado pelo menos um tapa nas costas do dirigente, que tem 80 anos.

A reação de Gilberto Barbosa, conhecido como Giba, porém, incomodou a cúpula da CBF. Nazareno sofreu cortes na cabeça e precisou ser atendido ainda no restaurante – que fechou mais cedo devido à confusão. Além disso, as cenas pegaram mal para a entidade brasileira. Antes de chegar à CBF, Giba foi funcionário da Federação Paulista de Futebol quando a entidade era presidida por Marco Polo Del Nero, hoje banido do futebol pela Fifa.

Na Rússia o Coronel Nunes, que preside a CBF desde abril do ano passado, tem sido isolado por seus assessores desde que votou no Marrocos para sede da Copa de 2026 após se comprometer a votar nos Estados Unidos, México e Canadá. Foi considerado traidor. Desde então, passa a maior parte do tempo em seu quarto de hotel em Moscou, viaja para acompanhar a seleção e às vezes sai para jantar.

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Um assessor da CBF saiu em defesa de Nunes e quebrou um copo na cabeça do torcedor

Segundo testemunhas, um torcedor hostilizou o presidente da CBF, coronel Antonio Nunes. O caso deu início a uma confusão, já que o dirigente resolveu retrucar e, segundo relatos, teria sido também agredido. Gilberto Barbosa, porém, teria usado um copo para partir para cima dos torcedores e Alexandre Nazaremo teve de ser levado a um hospital.

A polícia foi chamada ao local e o dono do estabelecimento colocou a culpa nos cartolas pela confusão. Mas a delegação brasileira deixou o restaurante antes da polícia chegar. Para que o Comitê Organizador da Copa possa agir, o torcedor que foi alvo da violência teria de primeiro prestar queixa na polícia.

Na Fifa, a consideração é de que a entidade também poderia agir de forma proativa. Oficialmente, a organização ainda não se pronunciou. Mas, na condição de anonimato, membros do Comitê de Ética da Fifa indicaram que acreditam que o órgão da entidade teria jurisdição para lidar com o caso, já que o funcionário da CBF faz parte de uma delegação oficial, credenciada para acompanhar a seleção brasileira durante a Copa do Mundo na Rússia.

Código de Ética
Num dos artigos do Código de Ética da Fifa, estipula-se que todos os membros “demonstrarão compromisso com uma atitude ética”. O texto ainda fala que eles “devem se comportar de maneira digna e agir com total credibilidade e integridade”.

Um dos debates que poderia existir seria sobre a competência do caso ser, prioritariamente, do próprio Comitê de Ética da CBF. Mas membros do Comitê da Fifa acreditam que existiria uma brecha, no item 5 do artigo 27.

“O Comitê de Ética (da Fifa) também terá o direito de investigar e julgar casos nacionais se associações, confederações ou outras organizações não processarem tais violações ou se não for esperado um juízo adequado dadas as circunstâncias específicas”, disse.

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