Brasília mostra a cara ao Mundo contra o Atlético-PR na Copa Sul-americana

Clube que conviveu com uma situação financeira complicada demonstra recuperação e almeja chegar à Série B em seis anos

atualizado

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Rafaela Felicciano/Metrópoles
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1 de 1 020915RF_Treino-do-Brasília008-840 - Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

Campeão da primeira edição da Copa Verde, em 2014, o Brasília colocou o Distrito Federal pela primeira vez no mapa do futebol internacional. A vitória por 2 a 0 contra o Goiás, em Goiânia, que classificou o time para as oitavas de final, dá ao clube uma sobrevida no calendário nacional. Caso supere o Atlético-PR, hoje (23/9) e em 30 de setembro, o clube terá a oportunidade de disputar uma partida oficial no exterior.

Na competição internacional, o Colorado conseguiu uma boa verba, somente com premiações. Só por ter participado da primeira fase, o Brasília embolsou US$ 150 mil (R$ 618 mil na cotação do dia). Com o avanço, garantiu mais US$ 225 mil (R$ 922 mil), mesmo que seja eliminado. Como sonhar não custa nada, um título no torneio internacional pode render até R$ 9 milhões (mesmo valor pago ao campeão do Brasileirão), a depender da valorização da moeda até o fim do ano – que a cada dia está inflacionada.

Para efeito de comparação, no Campeonato Candango cada clube recebeu R$ 30 mil como cota de TV. Na Série D, a CBF arca apenas com viagens, estadia e transporte local. Nada de premiação em caso de título em ambas competições. Além do valor da Sul-Americana, o Brasília ainda desembolsou R$ 350 mil na Copa do Brasil, quando caiu diante do Náutico, na primeira fase.

Novo investidor
E o dinheiro chegou na hora certa. Até há alguns meses, o clube convivia com salários atrasados e inúmeras dívidas. Hoje a história é diferente. O empresário e advogado Luiz Felipe Belmonte adquiriu 96% do clube e conta com metas audaciosas para os próximos seis anos. A Copa Sul-Americana, único torneio que o clube participa neste segundo semestre, é apenas uma consequência de um planejamento minucioso.

O elenco atual não convive com salários exorbitantes, assim como na gestão anterior. O time conta com vários jogadores que disputaram o campeonato candango, como o experiente Pedro Ayub (ex-Vasco) e o atacante Giba (ex-Guarani), além de outros atletas de confiança da comissão técnica. Mas, diferentemente dos últimos anos, a folha de pagamento está em dia.

Como recompensa pelo bom desempenho na competição, cada jogador que entrou em campo contra o Goiás recebeu R$ 5 mil, fora o salário. Aos demais, um valor não foi inferior a R$ 2,5 mil. O “bicho” deve aumentar caso o time supere o rubro-negro e chegue até as quartas de final.

O mandatário do Colorado esteve durante os primeiros seis meses em Brasília. Assumiu publicamente que adquiriu o clube durante a Copa do Brasil, na derrota por 1 a 0 para o Náutico, no estádio Serejão, ainda em meio ao Candangão. Hoje, de Londres, acompanha o seu novo investimento. Ele admitiu ao Metrópoles que ainda há resquícios do passado, mas com várias dívidas anteriores já liquidadas. Além disso, espera quitar as restantes o quanto antes.

“Realmente encontramos um passivo razoável, mas procuramos compor as pendências. Já equacionamentos os problemas fiscais e previdenciários, assim como diversas questões trabalhistas”, explicou.

Braço direito
Como passa muito tempo no exterior – atualmente reside em Londres, na Inglaterra -, Belmonte contratou pessoas de peso e com bagagem necessária para assumir a equipe que planeja voos altos, como o diretor executivo José Carlos Brunoro, ex-diretor do Palmeiras na década de 1990, quando o clube conquistou praticamente todos os títulos possíveis.

É bem verdade que o dirigente também não vive na Capital Federal, mas cuida minuciosamente da marca do clube em São Paulo. Participa de reuniões em prol ao clube, busca colocar a marca do time no cenário nacional e viabiliza parcerias e contratos para o próximo ano.

“A nossa ideia é de um projeto de longo prazo. Nossa intenção é colocar o time na Série B em seis anos. Nesse primeiro momento, estamos identificando os pontos necessários. Nosso primeiro objetivo é uma infraestrutura de treinamentos, seguido da profissionalização da gestão”, explica.

Partida ocorre hoje, às 22 h, na Arena da Baixada *Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles**
Partida ocorre hoje, às 22 h, na Arena da Baixada *Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles**

 

Brunoro foi responsável pela contratação de Omar Feitosa, que assumiu o comando do clube à beira do gramado. Gerente de futebol no Palmeiras no ano passado, Feitosa teve seu primeiro trabalho como treinador com o Jaraguá, clube da terceira divisão catarinense.

História
Há 40 anos, o Brasília iniciava a sua jornada no futebol local. Seu primeiro torneio foi no ano seguinte, em 1976, já conquistando o seu primeiro de oito títulos locais. Até 1987, disputou sete edições da primeira edição do Campeonato Brasileiro, já que os torneios regionais davam vaga direta para o torneio nacional.

Mas, depois de dez anos como a potência local, caiu em desgraça. Virou clube empresa, mudou a razão social, chegou a ficar inativo por algumas temporadas no início do século, teve que jogar a terceira divisão do DF. E, enfim, voltar ao cenário local sem o respeito anterior.

Até que veio o ano de 2014, quando conquistou o título da Copa Verde. Nas últimas três edições do Campeonato Candango, o time amargou o vice-campeonato em todas delas. Em 2013, perdeu para o Brasiliense, por 3 a 0, na inauguração do novo Mané Garrincha. No ano seguinte, caiu diante o Luziânia – este o primeiro clube do entorno a levantar um troféu no DF. Em maio, perdeu para o Gama, por 1 a 0 no jogo da volta – perdeu a ida por 3 a 0.

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