Após 40 anos, mulheres estão livres para ver futebol no Irã

Partida pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo no Catar será a primeira liberada para elas desde a restrição governamental em 1979

Amin M. Jamali/Getty ImagesAmin M. Jamali/Getty Images

atualizado 09/10/2019 20:16

O jogo entre Irã e Camboja nesta quinta-feira (10/10/2019), pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo no Catar-2022, envolve muito mais do que os três pontos. Após 40 anos de uma restrição imposta pelo governo iraniano, as mulheres, enfim, estão liberadas para assistir a uma partida de futebol no país.

De acordo com a organização do confronto, todos os 80 mil ingressos foram vendidos – cerca de 3,5 mil para mulheres, conforme divulgou a agência de notícias do Irã. O jogo será no estádio Azadi (liberdade).

O fim da proibição de mulheres nos estádios do Irã ocorre após pressão da própria população, que, desde a morte da torcedora Sahar Khodayari, em 9 de setembro deste ano, organiza protestos. Além disso, em junho, a FIFA cobrou da Federação Iraniana de Futebol ingressos para mulheres durante as Eliminatórias.

“As mulheres podem ir ao estádio Azadi, em Teerã, para assistir à partida entre a seleção nacional do Irã e o Camboja em outubro, para a eliminatória da Copa do Mundo do Catar”, afirmou o vice-ministro do Esporte, Jamshid Taghizadeh, segundo a Agência de Notícias da República Islâmica (IRNA).

Torcedora queimou o próprio corpo
Em março deste ano, a torcedora iraniana Sahar Khodayari tentou assistir a uma partida de futebol no estádio Azadi. Ela chegou a tirar foto dentro da arena, mas foi reconhecida pela segurança e retirada do local.

Em setembro, a torcedora, de 29 anos, morreu uma semana após incendiar o próprio corpo do lado de fora de um tribunal. Ela sofreu o surto depois de saber que poderia ser presa por seis meses, por tentar entrar na arena.

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