Cristian de Souza relembra desafios no Santa Cruz até a conquista do acesso
Cristian de Souza detalha os bastidores da campanha do acesso, a superação da crise financeira e os planos para 2027

O Santa Cruz está de volta à Série B do Campeonato Brasileiro. O acesso foi conquistado em 3 de outubro, quando a equipe pernambucana empatou com o Maringá e garantiu matematicamente a vaga na segunda divisão. Um dos pilares da campanha foi o técnico Cristian de Souza.
Ao Metrópoles, o treinador fez um balanço da temporada, comentou os desafios enfrentados e projetou os próximos passos para 2027.
Cristian aceitou o desafio de comandar o Santa Cruz mesmo estando invicto e na liderança do torneio com o Amazonas. A decisão chamou a atenção no cenário nacional. O técnico explicou o que o motivou a mudar de equipe:
“Estávamos em um momento bom no Amazonas, éramos líderes, invictos, mas a grandeza do Santa Cruz e o seu torcedor, além da possibilidade de marcar a história em um clube de massa nos fez mudar (de equipe), e no final daquela tarde já estávamos viajando para Recife”, iniciou.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO Santa Cruz é o 14º time comandado pelo treinador nos últimos quatro anos. “Infelizmente, [essa] é a realidade dos técnicos de divisões inferiores. A média de permanência dos treinadores é de dois ou três meses. Eu estou nessa média: o Santa Cruz foi o meu quarto time neste ano. Essa é a realidade no nosso futebol”, desabafou.
O primeiro contato com o Santa Cruz ocorreu em um momento conturbado, marcado pela crise e pela incerteza sobre o futuro do clube. Mesmo assim, Cristian implementou sua filosofia de jogo, corrigiu os principais problemas defensivos e deu início à trajetória que culminaria no acesso nesta temporada:
“O risco é inerente à nossa profissão, a gente precisa estar sempre disposto a correr riscos. Sabíamos da qualidade do Santa Cruz, tinha alguns jogadores que já tinham trabalhado comigo, alguns membros da comissão técnica também. Rapidamente a gente tira o Santa Cruz da parte de baixo da tabela, nos colocamos entre os postulantes ao título”, explicou.
Ele explicou que a primeira medida foi organizar defensivamente a equipe. “Trabalhamos muito para sofrer menos a bola parada e ser uma equipe mais sólida. O grupo aqui era muito experiente e conseguimos colocar isso em prática muito rápido. Conseguimos classificar em oitavo, mas o importante era passar e a partir daquele momento, virou outro campeonato”, detalhou.
Mesmo sem chegar à final, o acesso foi muito celebrado pela torcida do Santa Cruz. A última participação da Cobra-Coral na Série B havia sido em 2017. Sobre a ausência na decisão, Cristian explicou que o primeiro objetivo era garantir a classificação e avaliou a campanha como uma das mais difíceis da história da Série C.
“É um ano que termina de uma forma fantástica. No início do ano, eu troco o São Luís de Ijuí pelo Joinville, não consigo habilitar a equipe e acabamos rebaixados no Campeonato Catarinense, com muitas dificuldades financeiras. Quando fui para o Amazonas, também havia muitos problemas com isso, e aqui (no Santa Cruz) não foi diferente. O ano termina de forma positiva, o Santa Cruz sabe disso, mas precisamos melhorar muito a questão estrutural e financeira para jogar uma Série B à altura do que o Santa merece”, afirmou o treinador, ao contrastar as dificuldades financeiras com a conquista do acesso.
A torcida do Santa Cruz é conhecida por ser uma das mais fiéis do futebol brasileiro. O treinador enalteceu os torcedores e destacou a importância do apoio na conquista do acesso.
“A torcida e o time não estavam muito unidos no início. A gente passou por muita oscilação nos jogos em casa, os jogadores estavam tendo dificuldades no desempenho. Mas, essa mesma torcida, passa a entender o campeonato, o time e com o passar do tempo vai se criando essa sintonia. Na segunda fase, um apoio incondicional, o torcedor do Santa Cruz é único, a torcida é fantástica e a gente se entendeu”, enalteceu.
