Da bolha ao surto: como a decisão das ligas influencia casos de Covid-19

A diferença de protocolos de segurança têm mostrado alterações no número de infectados. Campeonato Brasileiro tem dos menos eficazes

atualizado 16/08/2020 9:29

arte coronavirus COVID-19 mundo mundialGetty images

O novo coronavírus já infectou mais de 21 milhões de pessoas em todo o mundo e segue se espalhando. Controlada em alguns países ou em franca ascensão em outros, a pandemia tem influenciado diretamente decisões no esporte. Competições foram adiadas e canceladas, mas também há ligas e entidades que decidiram dar continuidade ao calendário. E estas experiências têm sido bem diferentes.

NBA e Champions League, por exemplo, adotaram a já famosa “bolha de segurança”. A liga norte-americana de basquete concentrou 22 times em um complexo esportivo da Disney, em Orlando, na Flórida. Desde o primeiro dia de jogos, em 30 de julho, não registrou casos da doença. O futebol brasileiro, no entanto, seguiu em outra direção.

Com o Brasil no segundo lugar no ranking de mortes e infectados por Covid-19, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) decidiu adotar protocolos de segurança, mas sem concentrar os clubes num mesmo local. Após uma primeira rodada traumática, com adiamento do jogo entre Goiás e São Paulo, anunciou novas medidas, mas os casos seguem acumulando.

A escolha da CBF foi semelhante à de ligas como o Campeonato Francês, marcado para reiniciar no próximo dia 21, e da liga norte-americana de beisebol (MLB). Em ambos os casos, houve registro de atletas com teste positivo para o novo coronavírus.

Protocolos reduzem, mas não impedem o vírus

Embora os protocolos de segurança adotados por todas as ligas durante a pandemia reduzam a possibilidade de transmissão, ainda há riscos. De acordo com Alberto Chebabo, infectologista do Laboratório Exame, a exposição ao vírus existirá em qualquer situação, mas optar pela bolha de segurança parece a melhor opção.

“Quando você concentra todas as pessoas no mesmo lugar, ajuda a ter o controle, quase como uma quarentena. O atleta fica no quarto do hotel isolado dos demais”, defende o Dr. Chebabo.

No caso do Campeonato Brasileiro e outras grandes competições, adotar uma região como fixa e concentrar todo o staff se torna uma missão complicada. São muitos times (20 só na Série A), uma quantidade enorme de atletas e staff. Neste caso, a transmissão do novo coronavírus passa a ser mais suscetível. “Além da viagem, aeroporto, hotel, vai ter a questão de que alguns jogadores vivem em áreas com picos de transmissão. E está ocorrendo jogo nessas cidades. O maior problema é colocar os jogadores em cidades de alta transmissão”, alerta o infectologista.

De acordo com o Dr. Chebabo, colocar as partidas em cidades em situação de baixa transmissão seria um bom caminho. Ele ressalta, porém, que não é fácil retirar clubes de uma cidade e colocá-los para treinar em outra. “Quem faz os protocolos, faz para amenizar os riscos. A partir da decisão de ter um campeonato, criou-se um protocolo para tentar diminuí-los. É um risco calculado, mas existe”.

Entre as medidas tomadas pelas equipes médicas das competições estão ausência de público, testes constantes de detecção do vírus, redução de profissionais envolvidos, distanciamento, higienização e uso de máscaras.

Veja como ligas retornaram as competições

NBA
A NBA adotou a bolha como parte do protocolo de segurança contra a Covid-19 com 22 equipes. Optou por uma cidade da Flórida onde continua alto o índice de transmissão do novo coronavírus, mas até agora não registrou casos positivos. São três arenas (o Arena, o Field House e o Athletic Center) à disposição para os jogos, limitado ao máximo de seis partidas por dia no complexo. A área da Disney conta com 18 hotéis, sendo que somente três recebem os jogadores da NBA.

Champions League
A principal competição entre clubes de futebol da Europa levou os oito finalistas para Lisboa, capital de Portugal. O país registrou pouco mais de 1700 mortes desde o início da pandemia e foi tratado como exemplo nas restrições. De quarta-feira (12/8) até este fim de semana, nenhum caso de Covid-19 confirmado entre jogadores e staff envolvidos na competição. Cada clube ficou hospedado em um hotel diferente, com CTs diferentes. Dois estádios foram colocados à disposição, mas com jogos únicos por dia.

Brasileirão
Após as disputas de campeonatos estaduais, em que os protocolos de segurança se mostraram eficazes – poucos casos foram relatados -, a CBF decidiu ir adiante com o Campeonato Brasileiro. Com o mesmo número de jogos, sedes e times participantes, a competição iniciou com um susto: Goiás x São Paulo foi adiado quase que na hora da partida, após 10 jogadores do time goiano contraírem a Covid-19. Em menos de 10 dias de bola rolando, as Séries A, B, C do Brasileirão já tinham registrado mais de 50 casos da doença.

NHL
A NHL, liga norte-americana de hóquei no gelo, fez mais de quatro mil testes em jogadores, membros de comissão técnica e staff dos 24 times classificados para os playoffs. A organização dividiu o processo de retomada em quatro etapas, antes de levar todo o aparto para Toronto, cidade-sede da Conferência Leste ou Edmonton, sede dos jogos do lado do Oeste. Na última fase, quando todos os testes deram negativo para Covid-19 – nas anteriores encontraram mais de 50 casos -, seguiram com o plano da bolha.

MLB
Em 24 de junho, foi anunciada a volta da liga com temporada reduzida a 60 jogos – menos da metade do calendário normal. Além disso, readequou as partidas a fim de reduzir o tamanho das viagens. Ainda assim, sem adotar a bolha, tem lidado com adiamento de jogos e surtos de Covid-19 nos jogadores.

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