CRB questiona liga controlada por bancos e notifica FFU para avaliar possível saída

Clube exige documentos sobre acordos com XP e BTG e alerta que controle financeiro da liga contraria os princípios do futebol organizado

atualizado

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CRB/Reprodução
Escudo do clube CRB-AL
1 de 1 Escudo do clube CRB-AL - Foto: CRB/Reprodução

O CRB-AL enviou nesta sexta-feira (20/3) uma notificação extrajudicial à Liga Forte União do Futebol Brasileiro (LFU) exigindo informações financeiras sobre o contrato de investimento firmado entre as partes em junho de 2023 — e deixando no ar a possibilidade de saída da liga.

O gatilho foi uma reportagem publicada no UOL revelando que investidores articulavam o controle total do campeonato, incluindo a nomeação de um CEO indicado pelo mercado financeiro, sem que os clubes tivessem sido informados.

O documento, assinado pelo presidente do CRB, Mário Marroquim do Nascimento Neto, cita trecho da reportagem em que se afirma que XP e BTG — dois dos maiores bancos de investimento do país — participavam de articulações nos bastidores para assumir o comando da liga. Para o clube alagoano, a ausência de qualquer comunicação sobre esse movimento configura violação dos deveres de lealdade previstos no próprio contrato.

“Esse movimento de controle total da liga por agentes do mercado financeiro jamais foi comunicado ou compartilhado com os clubes integrantes da FFU”, afirma o documento. O CRB declara que desconhecia inteiramente a existência dessas articulações.

Seis blocos de exigências, prazo de 10 dias

A notificação pede prestação de contas, organizada em seis eixos: as distribuições já realizadas ao CRB desde o início do contrato, com metodologia detalhada de cálculo; as receitas brutas consolidadas sob gestão da LFU por competição e período; o modelo financeiro original com suas projeções de TIR e o confronto com os resultados reais; o desempenho dos contratos de transmissão e publicidade celebrados desde junho de 2023; projeções atualizadas de repasse para os próximos três anos; e, o ponto mais sensível, cópia integral de todos os instrumentos firmados com XP e BTG — contratos, memorandos de entendimento, cartas de intenção e acordos de confidencialidade — além da identificação dos nomes cogitados para o cargo de CEO da liga

O prazo concedido à LFU para responder é de 10 dias corridos.

Encruzilhada

O CRB integra atualmente a Série B do Campeonato Brasileiro, divisão cujos clubes vivem tensão crescente com a LFU. A notificação reconhece abertamente que o cenário dos contratos de transmissão da Segundona não tem sido suficiente para manter os patamares de receita anteriormente praticados — e que esse quadro tem levado o clube a examinar as alternativas disponíveis, incluindo a renegociação dos termos vigentes e o eventual resgate dos direitos cedidos quando da assinatura do contrato.

O documento reforça que nenhuma decisão foi tomada. O pedido de informações, afirma o CRB, não configura manifestação de vontade em qualquer sentido, mas a busca pelos subsídios necessários a um “debate qualificado e bem informado”.

Posicionamento político

Além da dimensão técnica, a notificação carrega uma tomada de posição incomum para um documento jurídico-extrajudicial. O CRB declara, de forma expressa, que a CBF é “parceira natural dos clubes brasileiros” e que qualquer modelo que afaste a Confederação do processo estará “fadado ao conflito institucional e à insegurança jurídica”.

E vai além: numa frase que soa mais como manifesto do que como notificação, o clube afirma que, “numa disputa entre entidades desportivas e instituições financeiras pelo controle do futebol brasileiro, o clube sempre se colocará do lado das entidades desportivas”. O presidente acrescenta que esse posicionamento “não é conjuntural: é uma convicção fundada na história do futebol e nos valores que o CRB carrega desde sua fundação.”

A declaração é lida no contexto de um momento particularmente tenso para a organização do futebol nacional. A CBF convocou reunião com clubes da FFU e da Libra para o dia 6 de abril, enquanto os times da Série B articulam uma associação independente para negociar direitos fora da estrutura da LFU. O CRB, ao se posicionar ao lado da CBF e das entidades desportivas, escolhe um campo num momento em que os campos ainda estão se definindo.

O que vem a seguir

A LFU tem até o fim do mês para responder ao prazo estipulado pelo CRB. O silêncio ou uma resposta incompleta pode acelerar o processo de avaliação interna do clube sobre a permanência na liga — e eventualmente abrir caminho para o acionamento das cláusulas de resgate previstas no Anexo 6.7 do Acordo de Investimento.

O que estava nos bastidores — a tensão entre clubes de menor expressão comercial e os arquitetos financeiros da liga — chegou hoje a um documento oficial. O CRB não saiu da FFU. Mas avisou, por escrito, que está pensando nisso.

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