Caso Maradona: ídolo teve morte súbita e suspeita de Covid, diz perito
Diego Maradona faleceu em novembro de 2020. Sete membros da equipe médica são réus pela morte do ídolo do futebol argentino

Perito oficial do julgamento da morte de Diego Maradona, Pablo Ferrari afirmou nessa terça-feira (22/9), em depoimento ao Tribunal Oral Criminal nº 7 de San Isidro, que não é possível descartar a possibilidade de o ídolo argentino ter falecido por Covid. Além disso, o ex-camisa 10 teria tido um mal súbito.
O profissional da Assessoria Pericial de San Isidro também contestou a versão de que Maradona teria passado 12 horas em agonia antes de morrer. Isso porque a Covid, segundo Ferrari, poderia provocar uma evolução rápida e causar óbito em poucas horas.
“Não podemos descartar que não tenha morrido de Covid. O falecimento de Maradona foi em plena pandemia”, disse Ferrari, em depoimento.
O perito afirma que a situação clínica de Maradona não demandava emergência, mesmo com uma piora leve de 2018 para 2019 e alterações significativas em 2020. Sobre as circunstâncias que levaram à morte do ex-jogador, Ferrari destacou que o acúmulo de líquido nos pulmões aconteceu em curto espaço de tempo.
“O período agônico é de poucos minutos a escassas horas. A agonia nós entendemos como o último período da vida. Aqui, Maradona sofreu um infarto, teve sua arritmia e um edema agudo de pulmão que acabou o sufocando”, declarou Ferrari.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“É difícil pensar que uma pessoa com edema agudo de pulmão ficou horas se sufocando. Esse período foi curto. Não posso sustentar academicamente que tenha tido longas horas de agonia. Foi súbito”, destacou o perito.
As conclusões de Pablo Ferrari apresentam diferenças em relação à versão da junta médica de 20 profissionais e da acusação, que sustenta a tese de que Maradona teria passado 12 horas em agonia antes de morrer em 25 de novembro de 2020.
No entanto, o perito admitiu que não leu o relatório médico de Maradona por completo. Segundo ele, não avaliou todo o material, pois algumas partes estavam ilegíveis por serem escritas à mão.
Julgamento em reta final
Com Pablo Ferrari, o caso Maradona chegou ao 74º depoente no caso envolvendo a morte do ex-jogador em 44 audiências no Tribunal Oral Criminal nº 7 de San Isidro. A expectativa é que, no dia 29 de setembro, os réus possam prestar novos depoimentos.
A acusação apresentará as alegações finais entre 8 e 14 de outubro. A defesa terá direito à fala entre os dias 20 e 22 do mesmo mês.
Acusação
A morte de Diego Maradona é tratada como um homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Sete profissionais de saúde contratados para cuidar do ídolo argentino são acusados pelo falecimento: Carlos Díaz (psicólogo), Agustina Cosachov (psiquiatra), Leopoldo Luque (neurocirurgião), Nancy Forlini (coordenadora médica), Mariano Perroni (coordenador de enfermagem), Pedro Pablo Di Spagna (médico) e Ricardo Almiro (enfermeiro).
Segundo parecer da Promotoria-Geral de San Isidro, Maradona apresentava sinais de que esteve em agonia e não teria sido monitorado horas antes de falecer.
Caso sejam condenados, os réus poderão enfrentar penas de 8 a 25 anos de prisão. Maradona faleceu durante a recuperação de uma cirurgia cerebral, realizada para tratar um coágulo. Após exames, um infarto foi apontado como causa da morte do astro argentino.
Anulação do primeiro processo
Em maio de 2025, o julgamento foi anulado após o processo ser declarado inválido pelo tribunal responsável. A anulação da ação aconteceu depois de questionamentos das partes envolvidas no caso do ídolo argentino sobre uma das juízas ter participado de um documentário sobre o caso.
Segundo a corte, Julieta Makintach participou das gravações quando ainda integrava o júri que julgava o caso. Ela responde a outras acusações. Além da juíza, outros dois magistrados que faziam parte do caso renunciaram aos cargos.
De acordo com a promotoria, Makintach facilitou que câmeras entrassem nos locais das audiências, mesmo diante da proibição de filmar dentro do tribunal.

















