Candangão 2026: um estádio que envergonharia Juscelino Kubitschek
No segundo episódio da série de reportagens do Metrópoles sobre os estádios do DF, acompanhe a situação precária do estádio JK, no Paranoá
atualizado
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Depois de mostrar os problemas do estádio Ciro Machado, na Vila Planalto, o Metrópoles apresenta a segunda reportagem da série que conta as mazelas dos palcos esportivos da capital federal, a menos de 50 dias para a primeira rodada do Candangão 2026. Desta vez, vamos falar do estádio Juscelino Kubitschek, que será palco de inúmeros jogos de campeonatos locais e nacionais no ano que vem.
O estádio Juscelino Kubitschek, no Paranoá, receberá partidas do Capital na temporada de 2026 do futebol brasileiro. O time terá, ainda, três competições nacionais para disputar no ano: a Copa do Brasil, a Copa Verde e o Brasileirão Série D, uma vez que foi vice-campeão candango em 2025.
A reportagem do Metrópoles esteve no Paranoá, onde encontrou um estádio que não oferece condições confiáveis de segurança. O local tem separação de torcidas, feita por grades de metal, mas que não oferece a proteção que é necessária, uma vez que podem ser removidas com facilidade por vândalos.
No interior do estádio, há restos de materiais de construção, pedaços de concreto, de tijolos e de barras de ferro, que podem ser encontrados facilmente e utilizados por torcedores para agredir simpatizantes do adversário, jogadores, árbitros e, até mesmo, dirigentes da equipe visitante.
Há poucos banheiros para os torcedores, que se situam próximos à antiga entrada do estádio. No caso dos fãs do time mandante, ele precisa atravessar as arquibancadas coberta e descoberta para chegar ao local. Quando a reportagem do Metrópoles esteve no estádio, visualizou apenas três boxes, o que não atende à demanda necessária.
A situação mais complicada é a do torcedor visitante. Se precisar utilizar, tem apenas um box disponível para homens e um para mulheres, com uso compartilhado com PCDs. Os vasos sanitários não têm tampa e algumas das portas não fecham.
A iluminação é outra “pedra no sapato” do local. Os postes são muito baixos e têm um número insuficiente de luminárias, o que prejudica a atuação dos jogadores, que precisam, em período noturno, colocar a mão no rosto durante os jogos. A situação também não é ideal para a imprensa, que não consegue ter uma visão correta para relatar os lances.

O torcedor que for ao estádio JK para acompanhar as partidas vai encontrar algumas situações inadmissíveis em um estádio que abrigará duelos de competições locais e nacionais. Não há uma cobertura total nas arquibancadas, somente parcial, até mesmo na área destinada à torcida mandante.
O espaço frontal às cabines é completamente descoberto e está com rachaduras nos assentos. Quem torce para a equipe visitante também fica sem cobertura para se proteger da chuva ou do sol forte.
Não há espaço reservado para as diretorias dos clubes visitantes. Os dirigentes acabam dividindo espaço com profissionais de imprensa esportiva, na varanda do estádio, e também com a diretoria do clube mandante, o que gera insegurança para todos.
Ainda sobre a imprensa, outro problema pertinente diz respeito ao setor destinado aos profissionais. O local, que é chamado de tribuna de imprensa, é uma espécie de varanda. Não possui mesas montadas, nem bancadas e cadeiras.
Os profissionais de mídia precisam mover o mobiliário da parte administrativa do Capital para a varanda, de forma que possam montar e apoiar o equipamento de transmissão. Em algumas ocasiões, os próprios cronistas precisam levar mesas e cadeiras para utilizar.

Além disso, não há proteção eficiente contra sol e chuva. A área não possui cobertura e existem goteiras que molham os equipamentos. Quando chove, as calhas não aguentam a força da água e o líquido cai na “tribuna”, danificando câmeras, computadores e eletrônicos.
As câmeras ficam em um segundo andar improvisado, com espaço para apenas um profissional. O local possui uma cobertura adaptada, com telhas e lonas que estão rasgadas, levando perigo a quem precisa filmar o jogo.
Os vestiários são antigos, sujos e, no caso da arbitragem, a situação ainda é mais complicada: eles precisam dividir espaço com as comissões técnicas. A reportagem do Metrópoles recebeu relatos de que o local tem condições mínimas e os funcionários dos times precisam passar pelo espaço constantemente para pegar pertences, o que tira a privacidade da arbitragem.
Além disso, não existem ilhas de hidratação no local. E, para quem quiser se alimentar ou comprar alguma bebida, há apenas um bar na parte destinada aos torcedores mandantes.
Em relação ao campo de jogo, a bola não rola sobre o gramado, quicando, o que prejudica a qualidade técnica da partida. Além disso, por conta das ondulações, torções e lesões nos jogadores podem se tornar um problema comum.
Também há pragas em boa parte do campo, que brotam e ficam à mostra. Já nos bancos de reserva, assentos padronizados de estádios foram colocados e a cobertura é precária, feita de telhas de zinco.
Fica, mais uma vez, evidente a falta de responsabilidade por parte da Federação de Futebol do Distrito Federal, que marca partidas para estádios que não dispõem das mínimas condições de segurança e qualidade para os torcedores, principalmente em se tratando de competições nacionais.
















