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O Novo Basquete Brasil (NBB), principal competição do esporte no país, começou neste sábado (4/11) sem um de seus principais atores: o UniCeub/Brasília. A finada equipe candanga se despediu do torneio de forma melancólica ao não apresentar garantias financeiras de que poderia disputá-lo na temporada 2017/2018. Acabou rebaixada para a segunda divisão, mas fãs e atletas não sabem se haverá time para voltar às quadras.

Com 15 times, o NBB terá como abertura o duelo entre o atual campeão, Bauru, e o vice, Paulistano, às 14h, com transmissão nas TVs aberta e fechada. Os torcedores brasilienses, porém, vão passar, no mínimo, uma temporada assistindo aos jogos do sofá à espera de gestores que queiram retomar o esporte na capital.

A reportagem apurou que há empresários e pessoas ligadas ao setor dispostos a ressuscitar a modalidade na capital. O desejo, contudo, não é suficiente. É preciso seguir um cronograma rigoroso, que tem início neste mês, para disputar a Liga Ouro – a segunda divisão do basquete brasileiro.

Até 17 novembro, os interessados precisam inscrever novas equipes. Já em dezembro, duas datas definem a participação: no dia 1º, é apresentada a garantia de patrocínio e investidores, no valor de R$ 500 mil. Quem conseguir o crivo ainda precisará pagar, até 8 de dezembro, a taxa de inscrição: R$ 30 mil.

Pelo menos três grupos distintos trabalham para disputar a competição. O Instituto Viver Esporte (IVE), dono da franquia do Brasília e liderado por Homero Neto; o Instituto Brasília Basquete (IBB), que tem à frente José Carlos Vidal, ex-técnico e diretor da equipe tricampeã do NBB; e o Cerrado Basquete, comandado por Dimitri Rodrigues.

O grupo de José Carlos Vidal acredita que conseguirá pelo menos dois patrocínios masters para viabilizar a participação. “Estamos avaliando duas propostas. Temos uma reunião com a diretoria do instituto na semana que vem”, conta Vidal.

Diretor do Cerrado Basquete, Dimitri Rodrigues afirma que o projeto é a longo prazo. “Disputando ou não a Liga Ouro, vamos seguir com a iniciativa. Queremos fazer algo parecido com o que ocorre em Franca [SP], investindo nos jovens”, conta.

O Cerrado Basquete teve início em 2016 e disputou campeonatos como a Copa Centro-Oeste e a Supercopa Brasil. “Nosso caminho se deu lá atrás, independentemente do que ocorreu com o UniCeub. Surgiu esse vácuo com o fim do time e outros projetos acabaram aparecendo com o intuito de disputar a Liga Ouro”, completa Dimitri.

Luta perdida
Entre junho e agosto, o Instituto Viver Esporte passou por um calvário na tentativa de conseguir as garantias financeiras e se manter na liga. Sem aporte financeiro e afundado em dívidas, o sonho acabou após inúmeras tentativas fracassadas de renascimento.

A equipe então se esfaleceu. Alex (Caxias), Pilar (Flamengo), Lucas Mariano (Vasco da Gama), Fúlvio (Vasco da Gama), Guilherme Giovannoni (Vasco da Gama), Deryk Ramos (Paulistano) e Jefferson Campos (Minas) deixaram a capital com vencimentos a receber e acertaram com outras equipes.

Muitos deles aguardaram até o último minuto, acreditando que o Brasília pudesse continuar na liga, e seguraram as propostas recebidas. Todos ainda têm salários atrasados referentes à última temporada.

O armador Fúlvio é um dos atletas que têm crédito com o clube. “São seis salários de imagem e um prêmio pelo título da Liga Sul-Americana”, conta o jogador. Procurado pela reportagem, o IVE não comentou o assunto até a última atualização deste texto.

O império da equipe tetracampeã brasileira, tricampeã sul-americana e campeã da Liga das Américas começou a ruir no final da última temporada. Após a eliminação na semifinal do NBB para o Bauru, em abril, o futuro começou a ficar sombrio.

Sem patrocínio
Em junho, a referência esportiva da capital sofreu um duro golpe. Perdeu o patrocínio de R$ 1,4 milhão da Agência de Desenvolvimento do DF (Terracap) e também o seu principal patrocinador, o Centro Universitário de Brasília (UniCeub)

O Brasília fazia parte do campeonato nacional desde 2004 – é a segunda maior atuação consecutiva, perdendo apenas para o Minas, que disputa o torneio desde 2002. Durante esse período, foi considerado um dos melhores clubes do país e conseguia lotar tanto o ginásio da Asceb, na 904 Sul, onde disputava seus jogos em casa; quanto o Ginásio Nilson Nelson, no qual travou duelos memoráveis, como o clássico contra o Flamengo, em janeiro passado.

“Sentimos um vazio, estamos órfãos mesmo. Cada um ali na arquibancada tinha a sua vida, mas o que nos unia era o basquete, era o time”, lamenta Stephan Dohms, líder da Torcida UNI.


 

 

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