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Esportes

AFC apoia protesto da Uefa contra ideia da Fifa de privatizar a Copa

Confederação Asiática de Futebol se juntou à Uefa e à Concacaf para rejeitar a ideia da Fifa de vender os direitos econômicos da Copa

31/07/2026 16:20
Catherine Ivill - AMA/Getty Images
AFC apoia protesto da Uefa contra ideia da Fifa de privatizar a Copa

A Confederação Asiática de Futebol (AFC) se uniu à Uefa e à Concacaf no proteste contra a Fifa Forward Enterprise, proposta da entidade máxima do esporte para criar uma empresa separada que teria os controles majoritários sobre as finanças e operações comerciais do futebol. O controle seria repassado a investidores privados.

“A AFC se solidariza com a Uefa e a Concacaf para proteger a Copa do Mundo da Fifa”, escreveu a confederação.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, ressaltou que a venda de ações permitiria aumentar o repasse para cada federação filiada de US$ 8 milhões (R$ 40,7 milhões) para US$ 20 milhões (R$ 101,7 milhões). A entidade espera arrecadar US$ 4,2 bilhões (R$ 21,35 bilhões) com o projeto.

A AFC expressou preocupação com a proposta do presidente Gianni Infantino. De acordo com a entidade, o fato da proposta ter levado duas confederações da Fifa a estebelecerem um boicote deveria levantar questionamentos de todos que se importam com o futuro do esporte.

“Embora o debate imediato se concentre na FFE, a AFC considera que essa questão vai muito além de uma única proposta. Em vez disso, ela expôs fragilidades fundamentais nos processos de consulta e tomada de decisão da FIFA que agora devem ser abordadas”, completou.

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Confira a nota da AFC na íntegra: 

“A AFC se solidariza com a UEFA e a CONCACAF ao expressar sérias preocupações com a proposta da FIFA de introduzir investimento privado nas principais competições da entidade e com o processo de tomada de decisão em torno da FFE. O fato de a situação ter chegado a um ponto em que a possibilidade real de um boicote à Copa do Mundo da FIFA passou a ser discutida publicamente deve preocupar todos aqueles que se preocupam com o futuro do nosso esporte. O futebol nunca deveria ter sido colocado nessa posição.

Nesse contexto, e à luz das posições claras expressas pela UEFA e pela CONCACAF, bem como das divisões sem precedentes que surgiram no mundo do futebol, a AFC acredita que a proposta da FFE não pode, de forma realista, alcançar o amplo consenso e a unidade necessários para seguir em frente. A Copa do Mundo da FIFA é o ápice do futebol mundial e deriva sua força da participação de todas as confederações e das principais nações do futebol mundial. Qualquer proposta que corra o risco de minar a unidade e o caráter universal da competição deve ser reconsiderada.

Embora o debate imediato se concentre na FFE, a AFC considera que essa questão vai muito além de uma única proposta. Em vez disso, ela expôs fragilidades fundamentais nos processos de consulta e tomada de decisão da FIFA que agora devem ser abordadas. Embora a AFC tome nota do último esclarecimento da FIFA sobre a proposta, as principais preocupações em torno da governança, dos processos institucionais e de uma consulta significativa permanecem sem resposta.

Uma proposta de tal importância, com potencial para afetar o futuro comercial, esportivo e estratégico do futebol mundial, não deve surgir por meio de processos que deixem as Confederações, as Federações-Membro (FM) e até mesmo os próprios órgãos dirigentes da FIFA, incluindo o Conselho da FIFA, sentindo-se marginalizados. O objetivo principal do futebol mundial deve ser garantir que decisões dessa magnitude sejam tomadas por meio de processos baseados na transparência e que inspirem confiança na comunidade do futebol.

Esta não é a primeira ocasião em que as principais partes interessadas se deparam com iniciativas significativas depois que o rumo a ser seguido parece já ter sido determinado. Tal abordagem mina a confiança na estrutura de governança da FIFA e diminui a autoridade de seus órgãos estatutários. Nenhum processo de consulta posterior, por mais bem-intencionado que seja, pode substituir o envolvimento desde o início com os órgãos apropriados da FIFA e com a família do futebol.

A AFC acredita que este momento deve se tornar um catalisador para o fortalecimento da reforma institucional. Embora todas as Federações Membros da FIFA devam ter a oportunidade de analisar e decidir sobre propostas que afetem o futuro do futebol mundial, a democracia significativa não se mede apenas pela oportunidade de votar. Ela começa com uma governança transparente, consultas oportunas, deliberações bem informadas e participação genuína ao longo de todo o processo de tomada de decisão.

Nesse sentido, a AFC insta a FIFA a realizar uma revisão urgente de sua estrutura de governança e tomada de decisões, a fim de garantir que propostas de importância global sejam elaboradas por meio de consultas adequadas, participação significativa e supervisão apropriada por parte dos órgãos estatutários da FIFA.

A Copa do Mundo da FIFA e o próprio futebol pertencem a toda a família global do futebol. Seu futuro deve ser sempre moldado coletivamente, por meio de instituições que reflitam as vozes de todas as Confederações e Associações Membros”.