Humor do futuro: brasilienses criam canal de stand up animation

Formado pelos comediantes Diego Rastichong e Fernando Booyou, projeto abre espaço para comediantes em início de carreira

Hugo Barreto/Metrópoles

atualizado 22/11/2019 20:32

Um comediante, um microfone e objetivo de fazer a plateia rir. O stand up comedy se popularizou pela interação entre comediante e plateia com piadas sobre os mais diferentes aspectos do cotidiano. Mas um grupo de artistas brasilienses tenta emplacar um novo jeito de se fazer esse tipo de humor: o stand-up em animação. 

Com o objetivo de criar um canal de comédia inteiramente animado, os comediantes Fernando Booyou, Diego Rastichong e o ilustrador Please No lançaram há cerca de um mês o canal Janela Animada e o programa Stand Up Animation, que busca adaptar as principais características do espetáculo para o formato de animação.

“É uma ideia totalmente nova, porque vai bem contra a ideia de que o stand up precisa de uma plateia” explica Booyou. De acordo com os criadores, o gênero animado do canal é um dos pioneiros desse estilo no Brasil. 

0

A ideia do canal foi o ilustrador PleaseNo, 50 anos, que após adaptar uma ferramenta de captura de movimento para animação percebeu a possibilidade de a ideia sair do papel. Ao saber da iniciativa, Booyou logo topou participar e convidou o amigo Diego, 34, para entrar no projeto. Comediantes de longa data, os dois começaram a planejar o novo trabalho humorístico. 

Sem ter a interação e o contato com a plateia dos shows tradicionais de stand up, os humoristas precisaram criar um texto que se encaixasse no formato digital e animado. Booyou lembra, para isso, teve de tirar algumas piadas do seu texto, porque elas só funcionariam no palco, usando da entonação e interpretação – algo complicado no novo modelo. 

Até agora, foram disponibilizados dois episódios, mas Diego adiantou que a ideia é que vários comediantes participem do projeto. “Diversos humoristas compartilharam o vídeo no Instagram e foi legal ver outros colegas gostando da ideia e querendo participar. Já confirmamos o Fábio Lins, Diego Serafim e ainda estamos vendo se conseguimos o Murilo Couto”, antecipou. 

Na conversa com o Metrópoles, Diego Rastichong explicou que outro objetivo do canal é dar oportunidade a novos comediantes e ajudar a cena local. O humorista destacou o êxodo de talentos, nomes que vão a São Paulo por não conseguirem espaço no Distrito Federal. 

O canal, então, serve como uma plataforma de divulgação. Trabalhando com stand-up há 10 anos, Booyou ressaltou que a cena da cidade oferece poucas oportunidades aos comediantes, sem noite de testes. 

“Geralmente, a gente faz o teste de piada no palco mesmo, mas não é muito comum ter noites dessas aqui [em Brasília] e, às vezes, surge um texto hoje e você já quer testar, não quer esperar o próximo mês para ver a reação do público. No processo de criação de uma piada, pode ter um texto com um tema atual, ou uma coisa que você tá com necessidade de dizer, por isso é preciso testar logo”

Fernando Booyou

Para Booyou – que também é ator e faz parte da Cia de teatro Setebelos – a falta de oportunidades é uma questão cultural: “Não existe uma cultura de consumo imediato disso. Teve até uma época que o teatro estourou aqui e eu bombei com a companhia, mas não tem mais. Muita gente começou a migrar para o stand up, por ser mais fácil de produzir, mas ainda não explodiu aqui”. 

Hugo Barreto/Metrópoles
Ilustrador há mais de 28 anos, Please No foi o idealizador do projeto
Criação 

Do texto a produção, os episódios levam cerca de dois dias para serem produzidos. O processo funciona da seguinte forma: o animador desenha os comediantes e os coloca no programa, a partir disso, é possível gerar animação através da captura de movimentos – via câmera do computador – ou somente, pelo áudio. O programa reconhece o arquivo e consegue sincronizar o áudio com o movimento de fala. 

Após o processo, basta gerar as movimentações e gravar as dublagens. A nova ferramenta proporciona maior agilidade ao processo criativo. Por exemplo: o comediante não precisa estar fisicamente no estúdio na hora de gravar os programas, basta gravar o áudio e encaminhe ao animador. No entanto, para isso, ele já deve ter gravado alguns movimentos anteriormente, para que somente o som seja adicionado. 

O ilustrador contou que, futuramente, com as adaptações da ferramenta, será possível transmitir as animações ao vivo. Ou seja, os comediantes poderão fazer um show semelhante aos feitos nos clubes de comédia em animação. 

Últimas notícias