Virais no streaming, músicas com IA podem reduzir atividade cerebral
Pesquisas apontam redução da atividade cerebral em usuários de IA durante tarefas cognitivas e analisam o uso consciente da tecnologia

As músicas criadas por inteligência artificial (IA) se tornaram tendência nas plataformas de streaming musical e estão diretamente ligadas com a dependência no uso da ferramenta. Uma pesquisa da MIT Media Lab, dos Estados Unidos, acompanhou voluntários durante atividades de escrita e os resultados mostraram que os participantes que utilizaram a IA apresentaram menor nível de atividade cerebral nos testes, com redução de aproximadamente 47% no engajamento neural.
O teste tem relação direta com a nova tendência nas plataformas musicais. Fenômenos virais como o grupo de R&B Slime Dot e o cantor gospel Hikari de Jesus são artistas fictícios criados por pessoas reais que utilizam a IA como auxílio para criação de músicas.
Os resultados também apontaram que a utilização da inteligência artificial reduziu em cerca de 60% o tempo necessário para a realização das tarefas. Entretanto, essa redução foi acompanhada por uma queda de aproximadamente 32% na carga cognitiva durante o processo de aprendizagem.
Segundo o neurologista Philipe Marques da Cunha, optar pelo uso dessas ferramentas, também na produção musical, pode ser prejudicial para as atividades cerebrais. “Isso reduz o esforço necessário para resolver tarefas e, quando ocorre de forma excessiva, pode limitar a aquisição de novas habilidades e enfraquecer competências já consolidadas. A maior dependência da IA está associada a menor capacidade de pensamento crítico, principalmente quando há aumento da fadiga cognitiva.”
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles EntretenimentoAumento da IA nas músicas
- A Deezer é uma das plataformas que detecta as músicas produzidas com inteligência artificial desde 2025.
- Em levantamento recente, o streaming musical aponta que, em junho deste ano, as faixas geradas por IA ultrapassaram 50% dos novos uploads pela primeira vez. A média mensal foi de 90 mil novos registros musicais com IA.
- Apesar da grande quantidade, as novas faixas responderam por uma pequena parcela das reproduções totais.
- Em 2025, mais de 13,4 milhões de músicas de áudio geradas por IA foram detectadas e rotuladas na plataforma.
De acordo com Tico Fernandes, diretor de criação da KondZilla, a inteligência artificial é uma ferramenta importante para acelerar processos, mas não substitui a visão cultural e social necessária para trabalhos artísticos. “A IA pode acelerar uma entrega, mas ela não substitui repertório, vivência e escuta. O que conecta uma marca a uma comunidade não é só a ferramenta usada, é a verdade cultural por trás da ideia”, afirma.
Para o DJ e produtor musical Jestfly, a tecnologia consegue combinar referências e reproduzir fórmulas, mas não constrói sozinha uma relação com o público. Ele destaca que a produção massiva enche catálogos, mas não amplia oportunidades.
“Produzir música nunca foi tão fácil, mas viver dela ficou ainda mais difícil. O problema não é colocar uma faixa no ar. É fazer alguém parar, ouvir, lembrar de você e voltar para o próximo lançamento”, justifica.















