“Velho Chico” esbanja testosterona, mas não abre mão da delicadeza

Encontro de Luiz Fernando Carvalho com texto de Benedito Ruy Barbosa resulta mais uma vez em um produto superior

atualizado

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Divulgação/TVGlobo
Selma-Egrei Velho Chico
1 de 1 Selma-Egrei Velho Chico - Foto: Divulgação/TVGlobo

O primeiro capítulo de “Velho Chico”, a nova novela das nove da Globo, teve tudo o que se pode esperar de uma trama de Benedito Ruy Barbosa: coronel mandão, filho moderninho estudando na capital, mulheres sujeitas às vontades dos homens, homens idealistas (em contraponto ao coronel turrão)… Enfim, muita testosterona. Mas também temas sociais e elementos de novelão.

Teve também tudo que se pode esperar de um trabalho dirigido por Luiz Fernando Carvalho. Direção de arte impecável, fotografia deslumbrante, um apuro visual arrebatador — cenas como a dos retirantes em meio à vegetação ressequida ou a dos trabalhadores no algodoal, por exemplo, pareciam pinturas Carybé, de tão delicadas.

E, no fim, a combinação de uma coisa com outra, história e direção, resultou mais uma vez em um produto de qualidade superior. Carvalho pega o script e o reconta ao público com os elementos que domina, persegue imagens deslumbrantes, mas não por pura pirotecnia, e sim para sublinhar o que deve ser sublinhado. Valoriza o texto.

Há dois anos, o diretor já havia feito bonito no horário das seis com o remake de “Meu Pedacinho de Chão”, outro argumento de Benedito desenvolvido pela mais filha e neto do autor, Edmara e Bruno — da mesma forma que é feito agora em “Velho Chico”).

“Velho Chico” também foi pensada para o horário das seis, mas acabou sendo removida para as nove por questões estratégicas da Globo. Considerou-se o esgotamento da audiência com repetitivas tramas urbanas. “Babilônia”, de Gilberto Braga foi um belo fracasso e “A Regra do Jogo” ficou longe de repetir o sucesso de “Avenida Brasil”, do mesmo autor, João Emanuel Carneiro. Decisão acertada.

Evidentemente que um primeiro capítulo deve ser analisado como uma unidade independente, já que há toda uma história a se desenvolver nos próximos meses. Mas, já é possível perceber que “Velho Chico” terá elementos para levar a audiência à dimensão da fantasia, aquela que alguém espera quando senta diante da TV ao fim de um dia cansativo de trabalho.

Nesse episódio de partida, a nova novela das nove nos remeteu, em alguns momentos, a Dias Gomes, José Lins do Rego, e até a Gabriel Garcia Marquez — sobretudo na morte do coronel interpretado por Tarcísio Meira, operística, uma apoteose, um clímax… Como se o capítulo fosse um filme que terminasse ali.

Registre-se, ainda, a atuação uniforme do ótimo elenco, não sem destacar a presença de Selma Egrei (foto no alto), nos cativando de cara com o azedume de sua Encarnação. Esse primeiro capítulo, afinal, foi dela e de Tarcísio.

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