"O Outro Lado do Paraíso" retoma emoção de folhetim
Nova novela das 21h da Globo estreia nesta segunda (23/10), na esteira do sucesso de "A Força do Querer"

Com o sucesso de “A Força do Querer”, encerrada na sexta-feira, é o grande o desafio da nova novela das 21h da Globo, “O Outro Lado do Paraíso”, que estreia nesta segunda (23/10). Mas o folhetim chega com grandes trunfos – entre eles, o texto de Walcyr Carrasco, habitual colecionador de boas audiências, e a direção de Mauro Mendonça Filho, que imprime um tom diferente e absorvente em suas narrativas. “Novela é o melhor produto do audiovisual no Brasil”, acredita o diretor, que vai trabalhar com temas instigantes, desde violência contra a mulher até a presença de uma anã.
Em linhas gerais, “O Outro Lado do Paraíso” acompanha a trajetória de Clara (Bianca Bin), que vive com o avô Josafá (Lima Duarte), no Jalapão, paradisíaca região de Tocantins. Sua vida sofre uma grande transformação quando se apaixona por Gael (Sergio Guizé), herdeiro de uma família de Palmas e cujo ciúme doentio logo vai transformar o amor em tortura. De quebra, Clara é obrigada a conviver com Sophia (Marieta Severo), sua sogra.

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Ver todas“Muito do que escrevo envolve a questão da inclusão”, conta o autor. “Em Amor à Vida, falei de uma autista. Agora, eu faço uma reflexão sobre a inclusão através da anã.” O assunto tem sido tratado com delicadeza, mas também honestidade por Mauro Mendonça, motivado a tratar novamente de um tema tabu.
“Trata-se de uma forma de preconceito habitualmente ligado ao humor, o que tenta atenuar a violência”, comenta ele que, durante os ensaios, provocou comoção ao orientar Marieta Severo a ser a mais violenta possível no verbo. “Ela disse coisas terríveis, ao mesmo tempo em que ficou chocadíssima com as próprias palavras. Ao final, as duas terminaram a cena abraçadas, chorando.”
Ciente de que a alma humana é um vasto território a ser explorado, Walcyr revela sua felicidade com o personagem vivido por Eriberto Leão. “Ele vive um homossexual, Samuel, que odeia ser homossexual, além de ter homofobia contra si próprio e de esconder sua orientação sexual da mãe e mais tarde, da mulher. É uma sintonia com esses tempos”, acredita.
E o cardápio aumenta com o comportamento bipolar de Gael em sua paixão por Clara, alternando carinho com brutalidade. “É um assunto que nos interessa muito tratar: a violência doméstica”, conta Mauro. “Clara vai vivenciar isso, sofrendo com o uso da força. Vamos mostrar as diversas formas de assédio sofridas pelas mulheres, desde no ambiente do trabalho até dentro de casa, com abuso de padrastos.”


