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“Num filme de terror não há heróis, mas sobreviventes”. A frase, dita por um conformado e esperançoso Fernando, o comissário de bordo magistralmente interpretado por Johnny Massaro, arremata o segundo episódio de Máscaras de Oxigênio não Cairão Automaticamente. A aguardada nova série da HBO Max teve seus dois primeiros episódios exibidos, na noite da última segunda-feira (25/8), em avant-première no Estação NET Gávea, no Rio de Janeiro.
Massaro é aquele ator capaz de nos surpreender (e arrebatar) a cada nova atuação e não será surpresa se ele vir a ser premiado por mais este feito. E não está sozinho nessa. A série, que chega às TVs no próximo domingo (31/8), é protagonizada por dois talentos à altura de Massaro: Bruna Linzmeyer, que dá vida à também comissária Léa, e Ícaro Silva, que brilha como o ex-leão-de-chácara alçado a transformista (o termo drag não era ainda conhecido) numa boate LGBTQIA+.
Segundo a BBC, comissários da Varig — a primeira companhia aérea do Brasil — criaram uma rede organizada para trazer ao Brasil remédios do exterior, principalmente dos Estados Unidos. Munidos de receitas médicas, eles compravam ou recebiam doações em farmácias de cidades como Nova York e Roma.
Contudo, diferente da série, os comissários e tripulantes não precisavam passar pela alfândega, e os comprimidos entravam livremente no Brasil — em tese, como não eram registrados ou comercializados no país, o sistema funcionava como uma espécie de “contrabando do bem”.
Segundo ex-funcionários, os servidores dos aeroportos tinham conhecimento da importação, mas, diante da gravidade da epidemia, deixavam o material passar pelas barreiras alfandegárias sem problemas.
Os medicamentos eram então entregues na sede da companhia, no Rio. “Havia até uma janelinha onde as pessoas pegavam as caixas. Era um sistema muito competente: em 48 horas o paciente conseguia o medicamento”, contou Mario Augusto dos Santos Filho, 78, ex-chefe dos comissários de voos internacionais da Varig, à BBC.
O serviço voluntário e gratuito durou do final dos anos 1980 até pelo menos 1996, quando o Congresso aprovou a lei que garante o acesso universal ao tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS).
Na série, a história é um pouco diferente. A empresa fictícia Fly Brasil e a alfândega dificultavam a chegada dos remédios, tornando a situação dos pacientes ainda mais dramática e destacando os obstáculos enfrentados na produção da narrativa televisiva.
Dividida em cinco episódios, a obra propõe uma reflexão sobre a força da resistência coletiva em meio à dor, celebrando a luta de uma geração contra o preconceito e o abandono.
