Especialista explica como regionalismos pautam protagonismo no BBB 24

Um dos temas em destaque no BBB 24 é a presença dos regionalismos, responsáveis por pautar discursos dos favoritos e dos vilões

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Isabelle e Davi conversaram antes do paredão do BBB 24
1 de 1 Isabelle e Davi conversaram antes do paredão do BBB 24 - Foto: Reprodução

Os regionalismos presentes na atual edição do Big Brother Brasil são responsáveis por embates sérios, discussões bobas e também pautam o discurso de confinados que são vistos como favoritos e vilões pelo público.

Davi, participante baiano e um dos favoritos da edição, por exemplo, envolveu-se em algumas discussões no reality show após utilizar termos pouco populares como “calabreso” e interjeições que podem ser interpretadas de várias formas como “psiu”.

Ao utilizar psiu com a conotação de “preste atenção” ou “vem cá”, foi rebatido pela carioca Yasmin Brunet e pela manauara Isabelle, que entenderam a gíria como um “pedido de silêncio”.

Segundo o professor e especialista Noslen Borges, dono de um dos maiores canais de ensino de língua portuguesa no YouTube, os desencontros acontecem porque as pessoas não compreendem o tamanho de variações da língua falada no Brasil.

“As variedades da língua são complexas, pois carregam diversidade, cultura e luta acima de qualquer coisa. Quando temos pessoas tão diferentes dentro de um mesmo ambiente, precisamos respeitar o outro e não criar um julgamento pelo modo como ele fala, procurando entendê-lo”, pontua.

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Davi e Isabelle são favoritos no BBB
Alane grita com Fernanda depois de comentário sobre seu corpo
Alane e Juninho BBB 24
Professor Noslen Borges, especialista em língua portuguesa e regionalismos
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Professor Noslen Borges, especialista em língua portuguesa e regionalismos

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Davi e Isabelle são favoritos no BBB
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Davi e Isabelle são favoritos no BBB

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Alane grita com Fernanda depois de comentário sobre seu corpo
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Alane grita com Fernanda depois de comentário sobre seu corpo

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Alane e Juninho BBB 24
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Alane e Juninho BBB 24

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Existe uma forma correta de falar?

Juninho, participante que foi eliminado do BBB 24, acabou saindo do reality show na semana em que disse “se eu quiser tocar você, eu toco” para Alane. Tocar, em algumas regiões do Rio de Janeiro, é uma gíria que significa flertar, paquerar. Mas, dentro do confinamento, os outros participantes não entenderam dessa forma. E boa parte do público também não.

Dias depois, ele acabou eliminado do programa com uma rejeição significativa, mas disse que estava com a consciência tranquila. Segundo Noslen, essa variação linguística é comum. “Essa diferença de significado entre as palavras se dá, porque cada uma das regiões do Brasil sofre influências de diferentes frentes: povos que nelas se instalaram, povos que já estavam na região, povos que chegaram depois, entre outros.”

Para além dos diferentes significados, o professor também pontua que um dos motivos para a interpretação duvidosa pode ter sido a expressão irritada de Juninho no momento da fala, algo que influencia as interpretações individuais do regionalismo.

“Muitas vezes, as pessoas acreditam que a sua forma própria de falar é a única certa, o que não é verdade, pois não existe um certo e um errado quando se trata de língua falada. Por isso o melhor caminho é sempre tentar entender o modo como cada um se expressa”, explica.

Como distinguir o que é ofensivo ou não?

Alane e Fernanda tiveram uma discussão no BBB 24 por conta de um deboche. Fernanda disse que o corpo de Alane estava “meio molinho” e que ela precisava malhar mais. A paraense se sentiu ofendida e acusou a carioca de machismo.

Nas redes sociais, algumas pessoas brincaram com a situação dizendo que “molinho” era um regionalismo no Rio de Janeiro, entrando na onda da temática estar em alta no programa. Debochada ou ofensiva, a fala de Fernanda repercutiu e levantou o debate sobre o uso de gírias regionais para ofender.

Noslen, como professor de língua portuguesa, afirmou que é quase impossível ofender sem querer por conta da intenção, contexto e entonação. Segundo ele, tudo isso é notado durante uma fala. Entretanto, também destacou o fato dos ânimos estarem a flor da pele no BBB.

“Como saber as reais intenções de uma fala? Analisando a situação em que ocorre o diálogo. Entendo que no BBB, porém, as situações e intenções podem mudar os contextos de fala e podem gerar ofensas. Lá tudo se torna maior do que realmente deveria ser devido ao isolamento. É muito difícil amenizar ou evitar que as variações regionais impactem os falantes”, pontua.

Regionalismo, BBB e a sociedade

“As pessoas estão cada vez menos dispostas a ouvir e entender o outro, isso faz com que as conversas se tornem muito mais discussões do que simples diálogos. A sociedade atual não está tão disposta a ouvir e está com muita necessidade de falar, isso faz com que os diálogos se tornem monólogos a dois.”

Noslen

Os regionalismos presentes no Big Brother Brasil estão causando intrigas entre os participantes e também fora do confinamento. No lugar de conversas e entendimentos, as pessoas estão apontando dedos e interpretando como querem as situações.

O professor Noslen acredita que tudo é reflexo da atual sociedade em que vivemos. “Cada um falando sem dar espaço para ouvir o outro e isso gera todo o desentendimento que temos visto, o BBB24 é um exemplo de como a sociedade tem se comportado.”

Ele deixa, ainda, uma dica para compreender melhor as intenções de outras pessoas. “Em uma situação de comunicação, se você não entendeu ou ficou em dúvida em relação ao que o outro falou, peça para que ele explique qual o sentido da expressão que ele utilizou para que tudo fique claro e você possa ter certeza do que foi dito. Faça isso antes de se ofender, levar para o lado pessoal e sair discutindo por aí”, finaliza.

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