Elenco de Pico da Neblina exalta segunda temporada: “Mais profunda”

A série brasileira original da HBO se passa em uma São Paulo ficcional na qual o uso e o comércio de maconha foram legalizados

atualizado 01/07/2022 18:39

Divulgação/HBO Max

A segunda temporada de Pico da Neblina, série brasileira original da HBO, estreia neste domingo (3/7). A produção se passa em uma São Paulo ficcional na qual o uso e o comércio de maconha foram legalizados e traz o desenrolar da história do ex-traficante Biriba como comerciante e produtor da planta.

“Construímos uma história forte, que evolui o enredo da primeira temporada. Essa segunda temporada vai mais fundo nas questões internas dos personagens, no debate do racismo estrutural da sociedade brasileira e continua em cima do estado de imaginação de como seria a legalização no país”, conta o diretor Quico Meirelles.

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O ator Luís Navarro, que interpreta o personagem principal Biriba, aprendeu com a experiência na primeira temporada e decidiu se empenhar mais para entender sobre a cultura canábica. O conhecimento ajudou a construir o produtor e comerciante especializado na planta vivido em cena.

“Eu não sabia nada sobre a maconha, então, antes dessa segunda temporada, eu busquei entender mais. Fui para o Uruguai, tive relação com a planta, compreendi como funciona a cultura da planta em um país legalizado e estudei muito mais. Cheguei mais preparado e mais preenchido de emoção para a série”, conta o ator.

O Metrópoles teve acesso aos três primeiros episódios de Pico da Neblina e o que se vê em cena na segunda temporada é um ambiente cheio de semelhanças com o mundo real, mesmo no mundo utópico onde a maconha é legalizada. Apesar da série ter sido apresentada no primeira ano, muitos comportamentos do tráfico — quando a planta não era legalizada — retornam. A violência e o racismo, de modo geral, não foram erradicados com o novo panorama e continuam fazendo parte da sociedade nos novos episódios.

A produção foi gravada durante a pandemia de Covid e, mesmo com as restrições de deslocamento, reuniões on-line, triagem, testagem, uso de máscara obrigatório e pulseiras de identificação no set de filmagem, transformou a vida de maior parte do elenco.

Leilah Moreno vive Kelly na produção e é um exemplo de como a série e a experiência com a maconha mudaram a vida dos artistas. Em entrevista, a atriz revelou que, na vida real, abriu um comércio de cosméticos de cannabis.

“Meu contato era zero, só de tabela. Então, comecei a estudar e entender a importância da planta para curas e cosméticos e procurei profissionais que me ensinassem mais sobre a cultura. Foi assim que o óleo da cannabis entrou e se transformou em parte da minha vida. Hoje tenho minha marca de cosméticos veganos voltados para cannabis”, revelou.

Henrique Santana, por sua vez, afirmou que vivia um momento radiante na vida e viveu um desafio. Teve que interpretar Salim, um personagem com muitos conflitos internos e externos para se resolver.

“Ele passa por um período de amadurecimento e se torna um cara sozinho, diferente da primeira temporada. O Salim sofre e chora muito. Foi um contraste com o momento alegre e diferente que eu vivia na minha vida, então usei as gravações como terapia”, explica.

Legalização

Em entrevista coletiva concedida para a imprensa, alguns atores do elenco falaram sobre uma possível legalização da maconha no Brasil. Crítico, Henrique Santana afirmou que existe uma distinção de classes quando o assunto é a cultura canábica. “A maconha é legalizada no Brasil para as classes com maior porte financeiro, para eles não tem consequências pelo uso e plantio. O que a série traz como utópico é o acesso para outras pessoas trabalharem com a planta como empresa, novas pessoas tendo acesso e mulheres pretas abrindo empresas sem represália”, comentou.

Luís Navarro foi mais fundo na questão e citou questões políticas, afirmando que a maconha só será legalizada no Brasil num governo de direita. “Quando a esquerda fala disso, é como se fosse conversa de vagabundo, mas se a direita traz [argumentos de] questões econômicas, muitos brasileiros veem de outra forma”, explicou.

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