Césio-137: o chocante relato da mãe da “menina Celeste” da vida real
Relato de Lurdes Neves Ferreira expõe momento chocante da contaminação da filha no caso do Acidente com Césio-137 em Goiânia
atualizado
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O drama vivido por Leide das Neves Ferreira, retratada como Celeste na série Emergência Radioativa, voltou a comover o público após a produção da Netflix resgatar o Acidente com Césio-137 em Goiânia (GO). Mas, por trás da ficção, a história real guarda detalhes ainda mais impactantes, especialmente no relato da mãe da menina.
Lurdes Neves Ferreira relembrou como a contaminação aconteceu dentro de casa, de forma inesperada. Sem saber do perigo, o pai da criança levou um fragmento do material radioativo para a família. Encantada com o brilho incomum do pó, a menina passou a manuseá-lo.
Foi em um momento simples da rotina que a tragédia ganhou forma. “Ela tinha pedido um ovo cozido e foram olhar esse brilho. Eu descasquei o ovo, coloquei na mesa e fui chamar ela para comer. Ela estava com uma mão na mesa e a outra terminando de comer o ovo, e [tinha] um caldo preto escorrendo da mão dela”, relatou ao site Mais Goiás.
“Juntou o pó do Césio com a água do ovo e escorria aquele caldo preto”, contou.
Lurdes também teve contato direto com a substância, mas não desenvolveu complicações. Já a filha, que tinha apenas 6 anos, não resistiu aos efeitos da radiação, e se tornou uma das vítimas mais emblemáticas do caso.
Aos 74 anos, Lurdes vive com uma pensão vitalícia que hoje soma R$ 954 — valor que, segundo relatos, mal cobre os custos com medicamentos. Além da perda da filha, ela também viu a própria casa ser demolida durante a descontaminação da área.
A família foi transferida para outro imóvel, em Aparecida de Goiânia, e nunca mais voltou ao antigo endereço. Anos depois, Lurdes enfrentou mais uma dor: a morte do marido, Ivo Alves Ferreira, que também sofreu consequências da exposição ao material e morreu em 2003.
















