Associação critica HBO Max por personagem trans em Dona Beja
Para a Antra, a produção de Dona Beja deveria ter escalado uma atriz trans para viver Severina
atualizado
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A novela Dona Beja se tornou alvo de uma nota de repúdio divulgada pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). No último sábado (7/2), a entidade criticou a escalação do ator Pedro Fasanaro para interpretar Severina, personagem apresentada na trama como uma mulher trans no início do século 19.
Segundo a Antra, tanto a produtora de Dona Beja quanto a Warner Bros. Discovery — dona da HBO, plataforma onde a obra é exibida — deveriam ter escalado uma pessoa transexual para o papel.
Para a associação, a escolha configura a prática conhecida como transfake, termo usado para definir a escalação de atores cisgêneros, pessoas que se identificam com o gênero designado no nascimento, para viver personagens trans ou travestis em produções audiovisuais.
Em nota, a entidade afirmou que a decisão “desconsidera as trajetórias, experiências sociais e as violências específicas vivenciadas por travestis e mulheres trans, além de reforçar uma lógica histórica de exclusão dessa população de papéis que poderiam e deveriam ser ocupados por elas”.
A Antra também direcionou críticas ao próprio ator por ter aceitado o papel em Dona Beja: “Ao aceitar o papel, o ator também assume a responsabilidade, especialmente por se identificar como pessoa não-binária, sendo esperado o compromisso com a empatia e a solidariedade para com mulheres trans e travestis, e não a utilização dessa identidade como forma de esvaziar críticas ou contestações legítimas”.
Nas redes sociais, Pedro se manifestou sobre a situação. “Tenho visto comentários tentando defini-la como mulher trans, mas essa leitura parte de um olhar contemporâneo. No século XIX, tempo em que essa história se passa, não existiam o letramento nem a consciência de gênero que temos hoje. Havia apenas dois caminhos socialmente aceitos. Qualquer pessoa fora disso era vista como subversiva, desviada, ‘invertida'”, disse.
Ao Metrópoles, a HBO Max explicou que a releitura da produção “buscou construir seus personagens com um olhar responsável e sensível aos debates contemporâneos sobre identidade e diversidade”.
Confira a nota, na íntegra:
“A releitura de Dona Beja, desenvolvida pela Warner Bros. Discovery e pela Floresta, buscou construir seus personagens com um olhar responsável e sensível aos debates contemporâneos sobre identidade e diversidade. A personagem Severina foi criada a partir de uma perspectiva histórica do século XIX, como uma personagem dissidente de gênero, cuja trajetória reflete múltiplas expressões e experiências, e a escolha de Pedro Fasanaro para o papel está diretamente alinhada a essa identidade. Reconhecemos o histórico de apagamento de pessoas trans no audiovisual e entendemos que esse debate é legítimo e necessário; por isso, seguimos comprometidos com a escuta ativa, o diálogo e o aprendizado constante, visando fortalecer uma indústria mais plural e responsável.”
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