Grace Gianoukas faz sessão única de “Mulheres Insanas”, na quinta (15)
Para a comediante, o terreno por onde a maioria das pessoas anda pensando e fazendo o humor “é uma zona de conforto medíocre e repetitiva”
atualizado
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Criado em 2001, em São Paulo, o Terça Insana revolucionou o humor no Brasil. Formado por várias esquetes curtas, o espetáculo tratava com ironia e sagacidade temas polêmicos, como pobreza e preconceitos. Em 2014, o projeto chegou ao fim, mas deixou alguns “herdeiros”, como a peça “Mulheres Insanas”. Comandada pela diretora e idealizadora Grace Gianoukas, ela reúne personagens femininas do “Terça” e criações inéditas.
“Mulheres Insanas” desembarca em Brasília, quinta (15/10), para única sessão no Teatro dos Bancários. No palco, os atores Grace Gianoukas (foto no alto), Tatiana Thomé e Darwin Demarch encenam textos próprios e da comediante Agnes Zuliani.
Comédia contemporânea
“Quando eu criei o Terça Insana, estava incomodada com o marasmo em que estavam instaladas as produções de humor. Por isso, busquei produzir uma comédia contemporânea, que traduzisse de forma mais pontual os avanços e as regressões da nossa sociedade”, diz Grace sobre o projeto, marco na comédia brasileira. “O fenômeno de público e crítica que ocorreu, provou que a incomodação não era só minha e, a partir daí, viramos uma referência pras novas produções de comédia, tanto no teatro quanto na TV e cinema”.
Uma das características do “Terça” eram as piadas com assuntos espinhosos. E, de acordo com Grace, isso não é problema, pois há espaço para tudo no humor. “A sociedade é diversa e como dizia Goethe: ‘O caráter de um homem se mede pelas coisas que ele acha engraçadas’. De forma geral, o terreno por onde a maioria das pessoas anda pensando e fazendo o humor é uma zona de conforto medíocre e repetitiva, que pouquíssimos ousam pular. Precisamos, como no mito de Platão, sair da caverna e ampliar nossa reflexão para produzir inovação. A arte é criação e para criar precisamos nos arriscar”.
O teatro de ontem e de hoje
Em 32 anos de carreira, a atriz encenou Samuel Beckett, fundou a Cia. Harpas e Ogro, gravou novelas e fez parte do elenco dos programas “Rá-Tim-Bum” (TV Cultura) e “Escolinha do Professor Raimundo” (Globo), entre outros. Ao analisar a produção atual do teatro, ela elogia os artistas da nova geração.
“Tem gente fazendo teatro de boa qualidade de norte a sul do país. Desde os clássicos aos trabalhos resultantes de pesquisas de linguagem. Tem de tudo para todos os gostos. Também existe muita gente reciclando produções já existentes, o que é normal na produção cultural, pois inovações não acontecem todos os dias. Mas há grupos dedicados a isso que estão renovando e ousando em montagens bem relevantes”, conclui.
Quinta (15/10), às 20h30, no Teatro do Bancários (314/315 Sul; 3262-9090 e 8459-2312). Ingressos a R$ 70 (inteira) e R$ 35 (meia). À venda na bilheteria do teatro e no site Ingresso Rápido. Não recomendado para menores de 14 anos.
Assista a um trecho do espetáculo:
