Autópsia: peça se inspira no Lixão da Estrutural e em presidiários

Companhia brasiliense mergulha no universo de Plínio Marcos para dissecar a realidade brasileira

atualizado

metropoles.com

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Diego Bresani/Divulgação
Autópsia Foto Diego Bresani (5)
1 de 1 Autópsia Foto Diego Bresani (5) - Foto: Diego Bresani/Divulgação

O dramaturgo Plínio Marcos (1935-1999) talvez tenha sido um dos artistas mais perseguidos pela censura brasileira. Antes mesmo do golpe militar de 1964 mostrar suas garras, Barrela, a primeira peça do autor –  que narra os conflitos entre presos amontoados numa cela –, teve montagem proibida em todo o país.

O incômodo dos puritanos de plantão, no entanto, não era apenas com a enxurrada de palavrões e eventuais cenas pornográficas exibidas entre um ato e outro. Mas, sobretudo, pelo turbilhão de questionamentos sociais e éticos promovido pelo autor ao expor mazelas e descasos do Estado com as camadas “invisíveis” da sociedade.

É essa parcela marginalizada, retratada com discurso cheio de revolta e indignação pelo coletivo brasiliense Sutil Ato, que será apresentada no CCBB Brasília, dessa quinta-feira (8/3) a domingo (11), com a montagem de Autópsia IV. Dividida em quatro atos, a peça é turbinada com duas encenações autorais inéditas baseadas em textos de Plínio Marcos e vivências do grupo com moradores da Estrutural e presos de Brasília.

“O ‘Autópsia’ mergulha na obra do Plínio com o desejo de denunciar, criticar, autopsiar esse câncer brasileiro que é a desigualdade. O nosso objetivo é colocar esses temas à mesa: desemprego, racismo, transfobia, homofobia, violência contra a mulher. Enfim, relatar um país com pouca oportunidade e criar uma reflexão. Para onde vai o país? De onde vem essa desigualdade?”, provoca o diretor Jonathan Andrade.

Lixão da Estrutural e visitas a cadeias
As experiências empíricas vividas pelo grupo em locais à margem da sociedade foram brutais e violentas, mas também transformadoras. Certa manhã, o grupo estava catando lixo numa montanha de imundices, dividindo espaço com urubus e o cheiro massacrante de chorume. Na outra, em conversas pungentes com detentos, ex-presos e moradores de rua.

Thiago Sabino/Divulgação

 

“Essas experiências vividas por todos nós foi determinante para a construção do espetáculo, ajudando a transformar os corpos dos atores, o nosso pensar de teatro e dramaturgia, de construção narrativa, questionando e revisitando tudo, pois nos interessava representar e ecoar a voz desses cidadãos vivendo ali, tão honestamente, numa realidade que nem nos damos conta”, lamenta Andrade.

Autópsia (IV Atos)
De 8 a 11 de março de 2018, no CCBB, sempre às 21h. Ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)

 

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