Mauricio de Sousa sobre a Turma da Mônica: “Não somos neutros”

À frente dos quadrinhos de maior sucesso no país, o empresário credita a diversidade de seus personagens a uma preocupação com o público

Vinícius Santa Rosa/MetrópolesVinícius Santa Rosa/Metrópoles

atualizado 21/09/2018 22:36

Aos 82 anos, Mauricio de Sousa não para. À frente da Turma da Mônica há seis décadas, o empresário tem muitos (e novos) projetos para a turminha, como um videogame para os principais consoles. O mais aguardado pelos fãs é o longa Laços, que estreia em 2019. Com direção de Daniel Rezende, a produção é a primeira parte de uma trilogia.

“Eu já vi um pouco do filme. Não só vai fazer sucesso, mas está muito bonito, lindo mesmo. Tivemos a sorte de escolher, entre 17 mil candidatos, as melhores crianças que poderiam viver aqueles personagens”, adianta o autor, que esteve em Brasília na última quarta-feira (19/9) para ser homenageado no Prêmio Cidadania Viva – uma celebração de projetos sociais de destaque em todo país.

Mauricio já afirmou, diversas vezes, que seus personagens não levantam bandeiras, mas “carregam as que estão passando”. Pudera: a começar pela protagonista forte e poderosa, Mônica, até as representações de personagens não brancos, com deficiência. E, nos gibis voltados para o público mais velho, existe até a possibilidade de se falar em problemas de gênero.

“Sempre tentei fazer com que nossas histórias em quadrinhos falassem do tempo presente. Minha equipe está sempre auscultando os acontecimentos ao nosso redor, para a história ecoar o contemporâneo e o leitor sentir que falamos a mesma língua”, comenta.

No começo, quando tinha só aquela criançadinha como personagens, senti que faltavam representantes de diversas áreas sociais. Fui colocando, pinçando, estudando cada etnia, necessidade e problema. Somos carregados de preconceitos. Como a gente faz para enxugar tudo isso? Não é uma questão de ser neutro em relação à diferença, mas de tratar as pessoas como seres humanos.

Mauricio de Sousa

A diretriz de representar tipos diversos, de ouvir gente de todas as comunidades, garante o autor, é o espírito da equipe por trás das histórias. “Quem chega a algum lugar, para. Temos que continuar caminhando. Há muito pela frente, e esse é um movimento de inércia. Continuamos do mesmo jeito, com o mesmo propósito”, avalia.

Mauricio garante: jamais participará de qualquer endosso ideológico ou partidário, mas não descarta projetos alinhados ao que acredita. “Temos um trabalho lindo com a CGU [Controladoria-Geral da União] sobre ética e cidadania, apresentando esses temas para a criançada. O mundo é cheio de atrações para quem, como eu, é criativo”, reflete. Questionado sobre a situação política e econômica pela qual o país passa, ele se mostrou tranquilo e otimista. “Eu já assisti a quatro grandes crises. O tempo ajuda qualquer coisa”, comenta.

 

Com filhos e netos envolvidos em seus negócios, Mauricio não para de trabalhar. À frente das tirinhas de Horácio desde o primeiro rascunho, ele não esconde que as reflexões do simpático dinossauro são dele mesmo. “Ainda sou eu quem as escreve. Mas não proíbo ninguém, inclusive quero alguém que faça!”, ri. Com muita energia e projetos – ele garante estar de olho nos memes e nas tendências da nova geração –, Mauricio tem dois conselhos para a molecada: “Tenham esperança e confiança”.

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