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Palo Santo é um incenso usado na cultura Inca para afastar os espíritos ruins. O instrumento (também conhecido como Madeira Santa) dá nome ao novo disco do trio britânico de eletropop Years & Years. A escolha se dá em duas pontes: uma a da espiritualidade, como reforçam os títulos das faixas (Karma, Hallelujah, Sanctify, Preacher) e uma posição sobre a vida de um homem gay.

Ser um homem gay (e, em outras escalas, um membro da sigla LGBT) não é, exatamente, fácil. Seja aqui ou na Inglaterra. Preconceito, medo, relações… tudo ganha um peso necessariamente combatido desde a saída do armário.

Para Olly Alexander, líder e principal letrista do Years & Years, isso ocorreu publicamente no festival Glastonbury, em 2016, durante turnê do disco Communion. Desde então, o cantor virou uma figura ativa da cultura queer, em documentários, debates e redes sociais.

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Olly Alexander: líder e letrista do Years & Years

 

Essa associação entre espiritualidade e ser gay, fica clara na faixa de abertura Sanctify: “Você não precisa ser hétero comigo. Eu enxergo por baixo de sua máscara. Sou uma homem como você”.

A pegada segue em diversas músicas. Por exemplo, All For You, faixa que remete ao som dançante (mix de anos 1990, R&B e house) que cativou a todos no disco de estreia. Aqui o amor entre homens, tal qual o sexo, aparece de maneira natural – pois, afinal, é exatamente isso: natural.

“Você parece tão assustado. Eu realmente não acredito que você se importe. Você sabe que nosso tempo está passando”, canta Olly. Esse ressentimento com as relações, inclusive, volta forte em If You’re Over Me: “Ontem, você disse que eu era o cara. Mas agora diz que acabou para você”.

Mensagens à parte, a faixa promete ser o próximo single: apesar de entregar o trabalho musical mais sem graça de todo o disco. Uma baladinha sem o toque eletrônico tão característico. Sai o EDM de garagem (na falta de um termo melhor) e entra uma pesada dose de Ed Sheeran.

Hey, Britney!
Desde o estouro de Desire, single de Communion (2015), o pop eletrônico do trio é daqueles sopros de inovação na indústria. Se Alexander incorpora o espírito letrista, o baixista Mikey Goldsworthy e o tecladista Emre Türkmen dominam o som alternativo.

Em Palo Santo, o Years & Years reforça a vibe noventista, o som sintetizado e, principalmente, dançante – afinal, estamos falando de pop music. Há referências também, muito latentes: Britney Spears, Timbaland e Justin Timberlake.

O novo disco mantém a regularidade do grupo: hits, algumas músicas descartáveis e bastante diversão.

Avaliação: Bom

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Mikey Goldsworthy, Olly Alexander e Emre Türkmen