Venda de catálogos vira febre e movimenta bilhões na música

Britney Spears, Justin Bieber, David Bowie e Bruce Springsteen são alguns dos nomes que venderam seus catálogos musicais

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britney sperars - Metrópoles
1 de 1 britney sperars - Metrópoles - Foto: Reprodução/Redes sociais

Grandes nomes da música mundial têm surpreendido os fãs ao anunciar a venda de seus catálogos musicais. A mais recente foi Britney Spears. Segundo matéria da revista Rolling Stone, publicada no início de fevereiro, a cantora negociou os direitos de seus trabalhos com a Primary Wave, empresa que vem concentrando obras de ícones da indústria fonográfica.

Embora os termos oficiais não tenham sido divulgados, fontes ouvidas pela publicação indicam que o valor do acordo pode se aproximar de US$ 200 milhões — cifra semelhante à obtida por Justin Bieber ao vender seu repertório em 2023. Na cotação atual, o montante gira em torno de R$ 1 bilhão.

Entre as canções negociadas por Britney estão sucessos que marcaram gerações, como …Baby One More Time e Toxic. Já Justin Bieber incluiu mais de 290 músicas lançadas até 31 de dezembro de 2021, incluindo hits como Baby, Sorry e Love Yourself.

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Justin Bieber vendeu cerca de 290 músicas por US$ 200 milhões
Shakira negociou seu catálogo por US$ 300 milhões
Britney Spears
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Justin Bieber vendeu cerca de 290 músicas por US$ 200 milhões
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Justin Bieber vendeu cerca de 290 músicas por US$ 200 milhões

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Shakira negociou seu catálogo por US$ 300 milhões
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Shakira negociou seu catálogo por US$ 300 milhões

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Outros artistas também seguiram esse caminho. Bob Dylan vendeu seu catálogo em 2020 por cerca de US$ 300 milhões. Bruce Springsteen fechou um acordo estimado em US$ 500 milhões em 2021. Justin Timberlake negociou suas músicas em 2022 por aproximadamente US$ 100 milhões. Já David Bowie foi um dos pioneiros nesse tipo de operação ao estruturar, ainda em 1997, um acordo avaliado em US$ 55 milhões.

Luciano Pinheiro, especialista em direito autoral, explica que os valores dessas negociações levam em conta o potencial de arrecadação das obras ao longo do tempo. Isso inclui os royalties — compensações financeiras pagas ao titular dos direitos — gerados pela execução pública em rádio e TV, regravações por outros intérpretes e pelo licenciamento das músicas para campanhas publicitárias, filmes, séries e outras produções audiovisuais.

“Todas essas modalidades de uso, como dependem de autorização, precisam ser pagas ao autor ou titular. Quando esse autor vende os direitos sobre as músicas, ele está transferindo para o comprador o direito de autorizar e cobrar por esses usos”, explica.

Por que artistas vendem seus catálogos musicais?

Marco Túlio Castro, advogado especialista em direito digital, afirma que há duas motivações principais para que um artista venda seu catálogo musical: a financeira e a estratégica. Do ponto de vista econômico, a negociação garante liquidez imediata, já que o músico recebe de uma só vez um valor expressivo. Já sob o aspecto administrativo, a venda simplifica a gestão dos direitos autorais.

“Em vez de receber valores diluídos ao longo de décadas, os artistas optam por transformar essa renda futura em um montante único e imediato. É, na prática, uma troca entre previsibilidade de longo prazo e liquidez no presente”, explica.

Segundo ele, a decisão também pode marcar uma transição de fase na carreira. “Artistas mais experientes podem preferir simplificar sua estrutura e deixar a administração dos direitos nas mãos de empresas especializadas. Já aqueles em plena atividade podem utilizar os recursos para impulsionar novos negócios, criar selos, investir em tecnologia ou expandir sua atuação internacional”, destaca.

Apesar disso, a venda do catálogo não significa aposentadoria. Marco Túlio ressalta que a maioria dos artistas segue ativa, realizando shows, lançando novos projetos e mantendo outras frentes de trabalho.

Bruce Springsteen
Bruce Springsteen é um dos artistas que mais lucrou com a venda, negociando seu catálogo por US$ 500 milhões

Confira a entrevista completa com o especialista: 

Como funciona o processo de venda de um catálogo musical?

Vender um catálogo musical significa transformar músicas em capital imediato. Na prática, o artista transfere seus direitos autorais e/ou fonográficos para um comprador e recebe, em troca, um pagamento único e geralmente expressivo. Esse valor funciona como uma antecipação das receitas que as músicas ainda podem gerar no futuro — como execuções públicas, royalties de streaming, e sincronizações em publicidade, cinema e TV.

Mas o que exatamente está sendo vendido? Um catálogo musical reúne o conjunto das músicas de um artista e pode englobar tanto as obras — as composições em si, com letra e melodia — quanto os fonogramas, que são as gravações específicas que chegam ao público nas rádios e plataformas digitais, por exemplo.

E a negociação não precisa envolver tudo. O artista pode optar por vender o catálogo completo ou apenas parte dele. É possível negociar somente as obras (direitos de composição), apenas os fonogramas (direitos sobre as gravações), ou até selecionar discos e faixas específicas, de acordo com sua estratégia e seus objetivos financeiros.

Quais critérios são considerados para definir o valor de uma oferta?

Antes de chegar em um preço final, o catálogo passa por uma etapa decisiva: o valuation, processo que calcula o valor econômico daquele ativo musical com base em dados concretos e projeções futuras — ou seja, uma análise financeira estruturada.

É preciso entender se o catálogo em negociação se encontra estável, em crescimento ou em declínio e projetar essa informação para o período futuro. Além dos dados históricos, entram na conta fatores como idade do artista, relevância cultural das músicas, presença internacional, força em playlists e tendências de consumo digital.

O que torna os catálogos musicais atrativos para investidores?

A atração de um catálogo musical para os compradores está diretamente vinculada à sua capacidade de geração de recursos, como em qualquer outro investimento empresarial. Os compradores fazem uma avaliação profunda da robustez desse catálogo para projetar a capacidade futura de retorno sobre o investimento. Obviamente quanto mais popular for o artista, mais atrativo será o seu catálogo.

Qual é o perfil dos compradores?

Os compradores normalmente são gravadoras, editoras musicais ou fundos de investimento, ou seja, empresas que atuam de forma profissional nesse setor, buscando otimizar a possibilidade de geração de receitas a partir do catálogo. Mas, recentemente, vêm surgindo alternativas para viabilizar que até mesmo fãs possam comprar parte dos catálogos de artistas admirados.

Vender o catálogo musical é sinônimo de aposentadoria?

De forma alguma. Os artistas podem — e normalmente continuam — atuando após a venda dos catálogos, criando obras, fazendo shows e outras atividades inerentes à carreira musical. Artistas como Bruce Springsteen, Shakira, Justin Bieber e Red Hot Chili Peppers são exemplos de profissionais que venderam a totalidade ou parte de seus catálogos e seguem em plena atividade.l.

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