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Música

Toni Garrido sobre racismo e sexualização da mulher preta: "Massacre"

Criado pela patroa da mãe na Zona Sul do Rio de Janeiro, o cantor revelou ter sofrido muitos episódios de racismo na infância

28/07/2022 13:53, atualizado 28/07/2022 13:54
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Reprodução: Instagram
Toni Garrido briga com fundador do Cidade Negra e grupo de reggae chega ao fim (Reprodução: Instagram)

O cantor Toni Garrido falou sobre a infância e episódios de racismo ao ser criado na Zona Sul do Rio de Janeiro (RJ), nessa quarta-feira (27/7), durante o podcast Lá no Pod, apresentado pelas atrizes Monique Curi e Cláudia Lira.

“Quando tinha 5 anos, não tinha preto morando na Zona Sul. O preto era o filho da empregada. Jogava bola nos morros, mas não estudava nos morros”, contou ele, explicando que Ofélia Garrido, que o criou, era patroa da mãe e o apresentava como filho.

Toni relatou que ainda quando criança, passou por um episódio de racismo no prédio onde morava. “Uma mulher me pediu para sair do elevador e eu, gentilmente, saí”, contou, afirmando ter narrado a situação ao chegar em casa. Segundo ele, Ofélia decidiu prestar queixa contra a vizinha. “Foi a única vez em que estive numa delegacia”, revelou.

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Toni também classificou como “massacre” a realidade da mulher preta no Brasil:  “O menino preto vai jogar bola, fazer alguma coisa, e começa a querer as meninas brancas e larga a preta. O que acontece na sequência? As mulheres pretas começam a ser o alvo visual dos meninos brancos. É aquela sexualização porque elas são gostosas, porque elas têm curvas, mas eles não as assumem porque as famílias são racistas, porque a sociedade vai massacrar. A sociedade massacra”.

Ainda na entrevista, Toni comentou sobre o episódio do Oscar 2022, no qual Will Smith deu um tapa em Chris Rock para defender sua mulher. “Talvez, se fosse em defesa de uma mulher branca, o mundo se comovesse muito mais”, opinou e salientou seu posicionamento contra a violência. “Somos todos civilizados, a brincadeira sem graça que ele fez, você tem toda a postura do mundo de inclusive falar e acabar com aquele momento dele, se pronunciar, porque somos artistas e somos pessoas. Agora, qualquer um, se sentindo com motivo, errou, dando aquele tapa no outro”.