Roberto Carlos faz show emocionante e animado em Brasília
No repertório, o cantor incluiu os principais clássicos de sua carreira
atualizado
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O maestro e os músicos se posicionam no palco. Plateia grita. Eles passeiam pela trajetória musical de Roberto Carlos. As banking vocals cantam “como é grande meu amor por você”, enquanto a banda faz entretrechos de clássicos como “A distância”, “Estrada de Santos” e “É preciso saber viver”. Uma voz de locutor emenda, como se anunciasse a maior atração da Terra: “Senhoras e senhores, com vocês o Rei Roberto Carlos”.
Centenas de celulares a postos, gritos de “Eu te amo” e Roberto canta o que todo mortal quer ouvir ao vivo. “Quando eu estou aqui e vivo este momento lindo”…. A servidora pública Rosa Silva, cearense e há uma década em Brasília, avisa: “Sou a fã número zero”.
Do lado de Rosa, que recentemente veio do cruzeiro com o Rei, o show de Roberto fica à flor da pele. “É como um filme. Roberto divide minha vida em fases. Primeiro, ele vinha por mamãe. Depois, passei a ganhar discos dos namorados. Até a fase popularesca dele, das baixinhas, gordinhas e caminhoneiros, eu adoro”.
Descontraído, Roberto comenta as canções. Sobre “Outra vez”, de Isolda, diz que quando alguém canta com ele, sente-se menos sozinho. Rosa ouve, ri e diz: “Tá sozinho porque quer”.
Confidenciou que é criador de muitas canções de amor, mas que sentia que faltava falar de sexo. “Safadinho”, grita Rosa, antes de Roberto cantar “Proposta”, arrancando suspiros dela e de uma plateia apaixonada.

Rosa sabe o show de cor. Só no cruzeiro que fez com as tias, enlouquecidas, viu três vezes. No momento em que a orquestra entra com o instrumental de “Negro gato”, ela avisa: “Nem se anime. Ele vai sair e trocar uma muda de roupa”. Dito e certo. Roberto volta e ainda mais encantador. Não demora muito para cantar a musica mais desejada da noite. “Esse cara sou eu”.
A essa altura, o êxtase é total. O coro é uníssono. Parece partida de futebol. “Esse cara não existe”, brinca Roberto. A mulherada, bem acompanhada ou não, responde. “Existe sim. É você, Roberto”.
O show chega ao fim com o ritual das rosas. Ao som de “Jesus Cristo”, uma multidão se engalfinha por um botão beijado pelo Rei. Falando em flores, cadê a Rosa, nossa fã número zero? Correu pra casa. Domingo, ela presta um novo concurso público.
Confira a playlist do show:

Eu, o Rei e a Rosa
Fui algumas vezes ao show de Roberto, mas nunca sai com a rosa beijada pelo Rei. Hoje, atravessei o foyer como se estivesse com um troféu em mãos. Algumas pessoas me parabenizaram, outras queriam saber como ganhei. Emprestei a cobiçada flor para uma mãe e uma filha fotografarem. Elas vão simular nas redes sociais que conseguiram o grande feito. Tudo bem. Mas elas não trazem alguns hematomas que orgulhosamente conquistei. Empurrões, cotoveladas, empurra-empurra. Num ritual, Roberto beija primeiro seis rosas brancas. Depois, pega as vermelhas e vai para a boca de cena. Ele elege um a um. Estava à esquerda. Ele chegou, olhou nos meus olhos e me entregou. Acho que nunca vou esquecer deste olhar.
