Rico Dalasam promete se aventurar pelo pop após sucesso de “Todo Dia”
Rapper esteve em Brasília no festival Sai da Rede e conversou sobre os rumos da carreira
atualizado
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De passagem por Brasília para o festival Sai da Rede, o rapper Rico Dalasam adiantou seus planos musicais. O novo EP, ainda sem nome e data de lançamento, será abastecido pelo ritmo pop. Segundo ele, um trabalho “sem gaiolas” e que espera servir de mantra para os fãs.
A decisão veio em parte após o sucesso da música “Todo dia”, escrita em parceria com a drag queen Pabllo Vittar. A canção, uma das mais executadas no carnaval de 2017, deixa claro a intenção de Rico: fazer um som acessível e mostrar outras frentes.
[Todo dia] Foi o marco no qual consigo mostrar que eu sei fazer o pop e rap. O próximo trabalho vai brincar mais com isso. Foi só um ensaio de qual é a minha veia para construir energias e letras
Rico Dalasam
Nessa linha, Dalasam diz que o rap “foi um berço e uma escola”. Mais maduro, o músico criou o desejo em explorar outros gêneros. “Talvez, no próximo trabalho, eu mostre que a gente não tem gaiola, sabe?”, expõe o artista, em turnê com o disco “Orgunga” (junção de orgulho negro e gay) até maio.
Dalasam acredita existir um respeito no meio do rap com homossexuais, mas ressalta que só ele sabe o preço do lugar que criou para viver. “Já desconstruí meu próprio caminho. Os maiores nomes do gênero acham legítimo e eu estou na playlist deles… O Mano Brown ouve, Criolo ouve, Emicida, Karol Konca, Flora Mattos. Está tudo certo“, reflete.
Três perguntas para Rico Dalasam
Como é a questão da representatividade gay no rap. Há respeito no meio?
O rap é muito grande e o que faço abrange lugares diversos. Não cabe só no rap em especifico. É importante existir (o respeito). O que a gente faz passa por vários espaços dentro da musica. A contribuição que poderia fazer é esse statement de que eu existo, faço música e trabalho.
E quais são suas influências no rap gringo. Você curte Mikki Blanco (rapper americano, homossexual e soropositivo)?
Eu sou amigo do Mikki Blanco. A gente se fala no Facebook e a gente aconteceu no mesmo tempo. Quando estava fazendo a música Aceite-c eu não sabia que ele existia. Fui tocar em Nova York e nos conhecemos. São caminhos próximos, só que mercados e situações diferentes. Aqui, para minha circulação ser próspera, um dia estou fazendo coisa com rap, outro dia com a Mahmundi e outro dia com o Baiana System. Então, talvez o próximo trabalho vá mostrar que a gente não tem gaiola, sabe?
O momento que o país atravessa tem te ajudado a escrever?
O ponto de partida sempre se deu no golpe. Sempre vivi na margem da margem, no desprezo e na invisibilidade social. A gente vê o que acontece hoje, reconhece os agravantes, mas é bom que nosso couro já conhece o peso e as chibatadas também.










