Arnaldo Baptista, Rita Lee (foto no alto) e Sérgio Dias voltam a se encontrar, pelo menos nas páginas de um livro. Em “A Hora e a Vez” (Realejo Livros, 208 págs, R$ 129), Leila Lisboa Sznelwar reúne 130 fotos inéditas e íntimas dos primeiros anos do grupo Os Mutantes – entre 1970 e 1973. Leila era na época casada com Liminha, que então integrava a banda como baixista.

Com livre trânsito em shows e ensaios, além de ter morado junto com o grupo numa comunidade hippie na Serra da Cantareira, Leila tinha visão privilegiada. Mas fotografava sem fazer a mínima ideia do valor que essas fotos teriam hoje. “Eu revelava tudo em casa, então mantive os negativos e conservei-os durante todo esse tempo. Sempre quis fazer um livro para tornar esses registros públicos”, ela conta.

O empurrão para concretizar a ideia veio há cerca de dois anos. Conversando com amigos, foi encorajada a colocar o projeto em prática. “Infelizmente, os negativos das fotos para o ‘Lóki’, em que passamos um dia todo rindo e nos divertindo, enviados para a gravadora, nunca foram recuperados”, comenta. Ela se refere à capa do antológico disco de Arnaldo Batista, lançado em 1974, cuja foto de capa também é dela.

Financiamento coletivoReprodução
Essa falta à parte, tudo conspirou para que o livro viesse à toma. Além da força dos amigos, a edição de  “A Hora e a Vez” precisava de um investimento, e isso foi conseguido por meio do financiamento coletivo. A convocação foi feita por meio da plataforma de crownfunding Kickante e conseguiu arrecadar mais de 70 mil reais, vindos de fãs d’Os Mutantes de todo o país.

Por fim, apesar da relação melindrosa que existe hoje entre Rita e os irmãos Arnaldo e Sérgio, todos autorizaram a publicação. Para Leila, não havia motivo para ser diferente. “Não é apenas um registro sobre Os Mutantes, mas a representação de uma época de ouro; um documento sobre a geração mais importante dos últimos séculos, aquela que realmente cultivou amor e paz”.

Os Mutantes durou de 1966 a 1978. Surgiu originalmente formado por Rita Lee (vocais) e os irmãos Arnaldo Baptista (baixo, teclado, vocais) e Sérgio Dias (guitarra, baixo, vocais). Liminha (baixista) e Dinho Leme (bateria) mais tarde se juntaram ao grupo. Agregado ao tropicalismo dos baianos, Os Mutantes chamou atenção pelo som ousado em que se misturavam psicodelia, Beatles e música brasileira. Em 1972 Rita Lee deixou a banda brigada com Arnaldo, com quem era casada. Desde então, os ex-Mutantes não se falam.