Menos é Mais: pagodeiros de Brasília conquistam Neymar e Ferrugem

Querida pelo público da capital, a banda aproveita a projeção e o bom momento do gênero para ganhar fama nacional

Vinícius Santa Rosa/Especial para o MetrópolesVinícius Santa Rosa/Especial para o Metrópoles

atualizado 19/01/2020 21:12

Conhecidos do público brasiliense por suas batucadas e pela animação, o grupo Menos é Mais conquistou, também, o coração do craque Neymar, que compartilhou um vídeo em suas redes sociais escutando o som do conjunto. Em quase uma semana, a banda local, formada por Gustavo Goes, Jorge Farias, Duzão, Paulinho Félix e Ramon Alvarenga, viu suas redes sociais quase dobrarem em número de seguidores. Agora, o quinteto aposta no som cativante e na interação com o público para conquistar o país.  

Chegar ao camisa 10 da Seleção Brasileira foi o ápice. “É como se fosse um jurado de uma escola de samba dando a nota, comprovando que somos bons. Depois disso, nosso Instagram foi de 70 para 100 mil seguidores em apenas uma semana”, afirma Paulinho Félix.

O vídeo postado nos Stories do craque do PSG apresentou a banda ao Brasil. Porém, a trajetória começa em 2016, ano em que o conjunto foi criado por Goes e Jorge.

Desde então, o Menos é Mais virou presença certa nas rodas de pagode de Brasília, fazendo cerca de 15 shows por mês. O que era apenas uma oportunidade de ganhar uma renda extra acabou virando coisa séria. Os amigos se preparam para iniciar uma sequência de shows país afora. 

“Quando formamos o grupo, há três anos, tínhamos essa ideia do ‘menos é mais’ mesmo. O desejo era tocar em algumas festas particulares, para faturar uma grana por aqui [em Brasília], com música. Conforme o tempo foi passando, fomos adicionando novos integrantes e fechamos o quinteto atual. Junto à banda de apoio que levamos em alguns shows, somos 12 músicos”, conta Goes. 

O sucesso entre os jogadores de futebol vai além de Neymar. Nomes como Denilson, o zagueiro Thiago Silva e o craque do Liverpool, Firmino, também se renderam ao som do grupo nas redes sociais.

Batuque moderno

Por saberem que os amigos do craque e o companheiro de clube Thiago Silva curtiam seus batuques, Jorge disse que já imaginava que Neymar postaria em algum momento algo sobre a trupe, mas via a realização como um sonho distante.

“Havia a esperança de ele postar porque outros jogadores já tinham compartilhado, mas sempre ficávamos com uma pulguinha atrás da orelha: ‘Po, quando será que o Neymar vai postar?’ E rolou, graças a Deus”, lembra Jorge.

Há um ano tocando todas as sexta-feiras em uma casa de shows especializada em pagode da capital, o conjunto se tornou mais popular entre o público brasiliense após o lançamento do projeto audiovisual Churrasquinho do Menos é Mais, divulgado em novembro do ano passado em parceria com o grupo carioca Vou Zuar, de Niterói. Em quase três meses, o projeto soma cerca de 11 milhões de views no YouTube. 

Além do batuque moderno em músicas consagradas de cantores como Periclés, Pixote e Dilsinho, o grupo aposta na interação com o público nos shows e nas redes sociais. Eles utilizam gifs e memes para bombar. “Não gostamos de nos colocar acima do público. Nosso lance é curtir o show junto com eles, tanto que, em vários momentos das apresentações, chamamos a plateia para subir em cima do palco ou descemos para cantar com eles”, frisa Gustavo.

Pagode com DNA brasiliense 

Vinícius Santa Rosa/Especial para o Metrópoles

Parte de uma nova leva de bandas do gênero na capital, como Di Propósito e Se Joga, o Menos é Mais contribui para o aumento da popularidade do estilo na cidade. Para os jovens, Brasília está, a exemplo do que ocorre no Brasil, recriando uma cultura em torno do pagode.

 Você comprova isso pela agenda das casas. Antigamente, tinha muito sertanejo, novas duplas a cada dia, e acho que houve uma inversão. São muitos grupos de pagode tocando praticamente todo dia”, avalia Gustavo. 

O sucesso está quebrando as “fronteiras estaduais”. Com o alcance proporcionado nas redes sociais, o grupo viu aumentar significativamente os convites para se apresentarem em outras cidades. Para os próximos meses, os músicos têm datas no Rio de Janeiro, Cuiabá e Belo Horizonte. 

“Isso provoca um efeito dentro da cidade mesmo. O pessoal já olha como uma banda que vai levar o som de Brasília a outros lugares. E aí, quando voltamos, fica um show ainda mais caloroso. É bem bacana representar um lugar que, tradicionalmente, não tinha tanto pagode sendo exportado. Pode servir de inspiração para outras bandas surgirem também”, acrescenta Goes. 

Clipe novo

Com participação dos ex-De Férias com o Ex Clara Maia e André Coelho no clipe, o Menos é Mais lançou, na última sexta-feira (17/01/2020), o single Recaída, primeiro lançamento de 2020. Além da nova música, o grupo anunciou que fechou parceira com o astro do gênero Ferrugem, que vai produzi-los com o compositor Gabriel Fernandes.

Ele (Ferrugem) está encabeçando um projeto que vamos fazer em parceria com o Vou Zuar. Disponibilizaremos alguns singles produzidos pelo Ferrugem. O primeiro conta bastante da união que temos com o grupo carioca. A ideia do projeto é unir as duas bandas em uma coisa só, em uma música que pode vir a se tornar um evento”, revela o músico. 

Para 2020, o Menos é Mais aposta nas novas músicas. A ideia é estourar de vez. “A estratégia é lançar pelo menos um single a cada mês e ver como eles vão se sair. Acreditamos que uma faixa vem antes de um álbum inteiro, então, se pegar, podemos pensar em um disco e planejar uma turnê”, encerra Jorge. 

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