São mais de 20 anos desde que Rogério Flausino assumiu os vocais da banda Jota Quest. De lá para cá, o cantor conquistou vários prêmios ao lado dos amigos PJ (baixo), Marco Túlio (guitarra), Paulinho Fonseca (bateria) e Márcio Buzelin (teclado), entre eles, dois Grammys Latinos. Nesta sexta (4/5), os mineiros quebram jejum de dois anos sem tocar na capital federal com a turnê do acústico Músicas Para Cantar Junto. O show acontece a partir das 22h, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães (Eixo Monumental).

Em entrevista ao Metrópoles, Rogério fala sobre o projeto paralelo com o irmão Wilson Sideral e a possibilidade de engatar carreira solo. “Às vezes sinto a necessidade de cantar coisas diferentes, mas supro esse desejo com meu irmão”, afirma o cantor referindo-se ao show de tributo aos 60 anos de Cazuza. “Começamos a tocar na década de 1980, ele influenciou toda a nossa geração. Com certeza instigou a juventude da época”, considera.

“Meu sonho sempre foi fazer parte de uma banda. Nós remamos muito para chegar até aqui e estamos saboreando este momento”, ressalta. A boa fase do JQ rendeu mais um prêmio para a coleção: um DVD de Ouro por alcançar a marca de 25 mil cópias vendidas do álbum que inspira a turnê, gravado em setembro do ano passado, no estúdio Quanta, em São Paulo.

A honraria foi entregue no camarim pelos amigos e parceiros de palco Milton Nascimento e Marcelo Falcão. Os dois cantores participaram do DVD nas canções O Sol e Você Precisa de Alguém, respectivamente. “Estou exatamente onde gostaria de estar”, diz o artista, garantindo que a trajetória do Jota Quest é motivo de orgulho para os integrantes.

Flausino acredita que a constante renovação dos fãs alimenta a sensação de estar sempre recomeçando no Jota Quest. “Estamos sempre trabalhando. Pelo menos de dois em dois anos nós lançamos novidades, e isso nos ajuda a atingir a audiência do momento”, explica.

Apesar disso, o músico sinaliza ser possível o público mais velho se identificar mais com essa turnê. “Quem acompanhou a construção da nossa carreira, de quando começamos com a mistura pop rock e soul, terá mais lembranças com as canções que iremos tocar.”

Escolher o repertório de 25 faixas do disco também não foi nada fácil. Segundo Flausino, 15 músicas eram consenso, já as outras 10 geraram divergências entre o grupo. “Como toda banda, nós também temos nossas discussões sobre quaisquer coisas, mas acabamos nos entendendo no final”, conta.

Rock’n’roll em baixa
Rogério se considera privilegiado por ser de uma época em que o rock era popular e tocava nas rádios de todo o país. “A década de 1980 foi um momento importante para a construção intelectual dos jovens”, reflete. Para ele, desde os anos 1990 houve um enfraquecimento do investimento financeiro no estilo, o que prejudicou a cena atual. “A gente sempre foi muito dependente das gravadoras. Outros estilos (funk, sertanejo e forró) souberam aproveitar melhor, chegaram bem e precisam ser respeitados e valorizados”, completa.

Contudo, o músico diz sentir falta de letras mais politizadas no mercado. “Às vezes olho para a situação do país e penso que nunca tivemos tantos temas para escrever. Mas isso é uma montanha-russa, estilos sobem e descem”. Mesmo assim, ele acredita no futuro do gênero. “Tem uma molecada que está curtindo, a renovação esta aí. Enquanto isso existir, teremos boas perspectivas para o rock”, conclui.

Jota Quest Acústico – Músicas Para Cantar Junto
Nesta sexta (4/5), a partir das 22h, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães (Eixo Monumental). Os preços dos ingressos variam de R$ 100 (poltrona superior) a R$ 280 (Gold). Valores referentes à meia-entrada e sujeitos a alterações sem aviso prévio. Vendas on-line pelo site Eventim. Informações: (61) 3554-4005. Não recomendado para menores de 14 anos