De Montreal, a banda Maracujá faz ponte musical entre o Brasil e o Canadá

Ao lado de três canadenses (um filho de brasileira, outro de portuguesa), o baixista brasiliense André Faleiros forma há 11 anos o quarteto, que agora lança o primeiro CD, “Vitamina”

atualizado

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André Faleiros Maracujá
1 de 1 André Faleiros Maracujá - Foto: Divulgação

Um brasileiro de passagem por Montreal, no Canadá, vai se sentir em casa ouvindo o som da banda Maracujá. Formado há 11 anos, o grupo costuma tocar (e cantar em bom português) músicas de Djavan, Caetano Veloso, Chico Buarque, Villa-Lobos, Tom Jobim… Todos esses autores estão também no primeiro disco do quarteto, “Vitamina”.

O CD saiu recentemente, por meio de financiamento coletivo de que participaram “brasileiros daqui, brasileiros no Brasil, canadenses e também gente de outras origens que curte música brasileira”, segundo o baixista André Faleiros. Radicado em Montreal desde 1994, o brasileiro forma o Maracujá com os.canadenses Elie Haroun (filho de mãe portuguesa), Sacha Daoud (filho de brasileira) e John Sadowy.

“Desde 1998, a gente toca junto e sempre em português. A língua foi o que nos uniu musicalmente”, afirma o baixista. Antes, porém, eles tocavam sob o nome Gaia, projeto que durou 10 anos e rendeu três discos. O último teve Elza Soares em uma das faixas (Olha o Trem) e levou uma indicação ao Juno (prêmio da música no Canadá) em 2006.

Cena limitada
O Gaia chegou a vir ao Brasil, em 2000, para apresentações em Brasília, Belo Horizonte, Rio e São Paulo. No entanto, uma redefinição do som do grupo levou à mudança de nome. Dessa forma, já se vão 11 anos que o Maracujá leva sua brasilidade a palcos de Montreal e outras cidades canadenses.

O espaço para uma banda de música brasileira no Canadá, André conta, é limitado, mas público não falta. “A comunidade brasileira em Montreal é bem ativa. Somos em torno de 10 mil brasileiros na cidade, há umas 10 bandas brasileiras aqui, de pagode, forró, pop, MPB, blocos e música instrumental. A mídia tradicional até dá espaço mas não muito”.

Mesmo assim, “Vitamina” mereceu uma crítica (pequena, mas positiva) no mais importante jornal cultural de Montreal, o Le Voir. O crítico Ralph Boncy deu três estrelas para o álbum. Ponto para André, Elie, Sacha e John, que nem por isso se dão por satisfeitos. “Um dos nossos objetivos é levar o nosso som ao Brasil”, diz o baixista da banda.

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Além da banda, o “brasiliense” André Faleiros atua como recrutador de talentos do Cirque du Soleil


Um pé em Brasília

A Maracujá tem um pé fincado em Brasília. André Faleiros nasceu em Roterdã e foi levado bebê para o Canadá, mas no meio do caminho houve uma temporada de oito anos na capital do Brasil, que para ele é como se fosse sua cidade natal.

“Passei aí dos 10 aos 18 anos. Fui milhões de vezes à Água Mineral; o Beirute foi onde aprendi a tomar cerveja; vi o Daniel Briand abrir a confeitaria; vivia no Feitiço para ouvir um bom som, conheço todos os cantos do Plano Piloto; cresci ouvindo Renato Matos e toquei com os melhores músicos de Brasília”, enumera.

Foi também aqui — onde vez em quando retorna para reencontrar amigos e os pais, professores universitários, que moram na Asa norte — que ele aprendeu os primeiros acordes. Aos 13 anos, começou a tocar baixo. Estudou na BSB Musical,  na 712/713 Norte, e teve aulas com o contrabaixista Ricardo Vasconcelos.

André tinha 19 anos quando foi para Montreal, estudar na universidade Corcordia, onde se formou em jazz studies. Em 2005, atuou como baixista do espetáculo “Delirium” do Cirque du Soleil. Hoje, trabalha como recrutador de atores, palhaços, instrumentistas e cantores para todos os espetáculos da companhia.

Em meio a tudo isso, não é somente a paixão pela música que o vincula ao país de origem. “Sou Brasil, meus filhos falam português, escuto e sigo a música e as notícias do Brasil, e também  os resultados do futebol. Bom, o Flamengo anda fraco, mas a Mangueira ganhou este ano (risos)”.

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