Crítica: Hot Chip vem cheio de positividade em A Bath Full of Ecstasy

Novo disco da banda inglesa explora o house e o UK Garage com uma mensagem reconfortante

Frank Hoensch/RedfernsFrank Hoensch/Redferns

atualizado 24/06/2019 19:54

O título Bath Full of Ecstasy, sétimo disco da banda britânica Hot Chip, traz a essência do álbum. Talvez, logo de cara, todo mundo pense que o grupo fala de uma banheira cheia de droga sintética. Porém, a inteligência do nome (o mesmo de uma das músicas do projeto) é a brincadeira com o substantivo êxtase. Para além das pílulas psicotrópicas, por que não falar de alegria e prazer em um mundo permanentemente amedrontado por crises econômicas, sociais e políticas.

Alexis Taylor e Joe Goddard, além de Owen Clarke, Felix Martin e Al Doyle, exploram todo um universo good vibes – num caminho oposto ao apresentado em Why Make Sense? (2015). Em entrevista ao The Guardian, Goddard resumiu o propósito do disco. “Apresentar um quê de positividade neste mundo também soa como uma contribuição válida. É algo que vale a pena”, avaliou.

O disco abre com Melody of Love, uma espécie de hino sobre como o futuro pode ser mais interessante que o presente. Os compositores perguntam “Você tem fé para viver nesse mundo”? E, no que depender da música, a reposta é sim. No som, sintetizadores e batidas eletrônicas trazem pitadas psicodélicas e alguns drops: receita própria de uma track pronta para pistas de dança.

Para além das mensagens, fica evidente como o Hot Chip consegue produzir música pop de qualidade. Echo, canção originalmente feita para Katy Perry, é isso: ao melhor estilo de Robyn, Daft Punk e Phoneix, a faixa mergulha na simplicidade complexas das melodias eletrônicas. Spell, igualmente uma quase integrante de Witness (2017), segue a mesma linha.

É em Hungry Child que o disco chega ao ápice: a faixa, certamente, é uma das candidatas a sucesso nos clubs europeus neste verão – chegando aqui ao Brasil com força nos próximos meses. Um mix de house e o sempre bom UK Garage, no melhor estilo do eletropop desenhado pelo Hot Chip no ótimo One Life Stand (2010).

O disco segue ainda com as faixas A Bath Full of Ecstasy, No God, Positive e Clear Blue Skies. Com a tradicional regularidade nas músicas, o Hot Chip traz uma nova linha, voltando a um pop mais despretensioso que agrada à primeira medida.

Avaliação: Ótimo

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