Crítica: em “Earth”, Neil Young mistura sons da natureza com guitarras

Gravado ao vivo, novo disco do veterano roqueiro canadense celebra a vida natural

atualizado

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Frazer Harrison/Getty Images
Neil Young
1 de 1 Neil Young - Foto: Frazer Harrison/Getty Images

Desde 1968 em carreira solo, Neil Young é um raro caso de artista consagrado que odeia conforto. Bob Dylan já gravou dois discos seguidos em tributo a Frank Sinatra. Eric Clapton segue fiel às origens do blues. Young ousa correr riscos. Assumiu seu ativismo político e virou um detrator do mp3 e do streaming ao criar seu próprio serviço musical (o impopular Pono), entre outros gestos. Em “Earth”, é ainda mais radical: junta sons da natureza com seus acordes roqueiros.

Reprise/DivulgaçãoApesar de ter sido gravado ao vivo, durante a turnê Rebel Content, o disco mais parece uma jam roqueira registrada em estúdio, com aplausos e assobios infiltrados nas músicas. O elemento um tanto excêntrico, mas bem intencionado vem do catálogo de ruídos da natureza que Young adiciona à mixagem: uma tentativa de aproximar seu rock analógico da música rústica e urgente criada pelo planeta.

Entre uma faixa e outra, zumbidos de insetos, rugidos e até rompantes de tempestade misturam-se a músicas de diferentes fases da carreira. É uma maneira um pouco ingênua de mostrar seu ativismo ecológico e transmitir aos ouvintes uma mensagem de paz e consciência ambiental.

Ainda assim, a lírica de Young permanece intacta. A vibração de “People Want to Hear About Love” e a longa versão de “Love and Only Love” (com 28 minutos) trazem flashes de outras performances ao vivo registradas em disco, como o clássico “Rust Never Sleeps” (1979).

Da posição de artista-ativista, Young demonstra generosidade ao abrir caminho para a banda Promise of the Real, que começou a acompanhá-lo no disco anterior, “The Monsanto Years” (2015). Liderada por Lukas, filho de Willie Nelson, o grupo aparece confiante para testar grooves em “After the Gold Rush” e “Human Highway”, duas canções míticas de Young reformatadas em “Earth”.

As forçadas conexões entre instrumentos e sons naturais minam a conhecida espontaneidade do músico em discos ao vivo. São colagens que, no fim das contas, não chegam a condenar o material, forte demais pelo próprio conjunto de canções. Neil Young, aos 70 anos, segue inquieto.


“Earth” ainda não está disponível em versão física no Brasil

O disco está disponível nas plataformas Amazon, Pono e Tidal

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