Crítica: David Guetta quer ser ousado e conservador em 7

Novo disco do produtor mostra suas versões popstar e DJ raiz

atualizado 20/09/2018 10:34

Gina Wetzler/Redferns

David Guetta é daqueles produtores que possuem duas vertentes em uma só persona. É capaz de fazer um som eletrônico pop e comercial, ao mesmo tempo lançar mixagens densas, com elementos “raízes” da EDM. Tudo isso num mesmo disco. Essa história se repete em 7, novo álbum duplo do astro francês.

É impossível avaliar 7 como uma única obra. A parte 1 e a 2 são tão diferentes que um desavisado poderia, facilmente, imaginar terem sido feitas por DJs diferentes. Essa versatilidade, frise-se, é o melhor e o pior de Guetta: estamos falando de um artista por trás de grandes nomes e autor de uma apresentação duvidosa no Rock in Rio 2017.

Bom, mas vamos ao disco. Ou melhor, a primeira metade do álbum. Guetta aqui se mostra um perseguidor de tendências: tem reggaton, afro-house (mais uma dessas definições meio reducionistas da cultura eletrônica) e rap. Em outras palavras, quase tudo, menos o EDM.

A lista de colaboradores deixa clara essa intenção – a completa falta de uma linha guia nas 15 faixas. Sia revive a parceria em duas composições com cara de rádio: Flames e Light Headed. J. Balvin comprova a força do reggaeton na faixa Para Que Te Quedes. Jason Derulo e Nicki Minaj cantam em Goodbye.

G-Eazy reúne Steve Aoki, Lil Uzi Vert, G-Eazy e Mally Mall. Essa trupe entrega um mix interessante de pop e rap. Há ainda Bebe Rexha (Say My Name) e Black Coffee (Drive).

Juan Naharro Gimenez/Getty Images
David Guetta assina o lado B sob o pseudônimo de Jack Black

 

Lado B
Se na primeira parte Guetta mostra sua capacidade de trabalhar com as estrelas do mainstream, no lado B do disco o DJ e produtor francês exibe técnicas que mostram o porquê de ser admirado pelos colegas mais conceituados do ramo.

Para escancarar ainda mais a dupla persona, Guetta assina sob o pseudônimo de Jack Black. Logo de cara tem uma parceria com CeCe Rogers em Freedom. De tirar o fôlego!

Overtone, What 2 Say e Inferno também são boas produções. Não espere os vocais tão característicos de Guetta. Black aposta em batidas pesadas, tech-house instrumental e pouca variação.

Guetta exibe seus dois lados. Um melhor que o outro a depender do gosto do freguês. No entanto, em nenhum deles, o DJ exibe sua melhor forma, mas sempre é capaz de emplacar.

Avaliação: Bom

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