Cinco anos após a morte de Amy Winehouse, nome da cantora se mantém vivo na temporada de premiações
Artista teve este ano sua terceira indicação póstuma ao Grammy, a segunda ao Brit Wards e ainda ganhou destaque na cerimônia do Oscar, em filme que explica por que ela se tornou inesquecível
atualizado
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Quase cinco anos se passaram desde a morte de Amy Winehouse, mas o nome da cantora britânica esteve vivíssimo na última temporada de premiações. Muito se deve ao lançamento do documentário biográfico “Amy”, de Asif Kapadia, embora, mesmo antes do filme, Amy continuasse sendo lembrada por diferentes motivos.
A carreira póstuma já havia rendido o CD de inéditas “Lioness: Hidden Treasures”, duas indicações ao Grammy — venceu uma, em 2012, com “Body & Soul”, dueto com Tony Bennet — e uma ao Brit Awards. Este ano, a artista voltou às duas premiações. A trilha de “Amy” levou o Grammy de melhor música de filme, e no Brit Awards ela disputou o título de cantora britânica do ano (Adele venceu).
O ápice, no entanto, foi a cerimônia do Oscar, em que o nome de Amy Winehouse voltou a aparecer em destaque. O filme de Asif Kapadia — que já tinha sido incluído na seleção oficial de Cannes — levou a estatueta de melhor documentário. Confira aqui cinco detalhes destacados na produção que a tornam um filme indispensável.
1. Mitch contrariado
O pai da cantora, Mitch Winehouse, inicialmente colaborou com a produção, mas ao perceber que o filme o mostrava como vilão, passou a criticar o documentário. Quando todos diziam que Amy precisava urgente de se internar para uma reabilitação, Mitch convenceu a cantora do contrário. Ele, porém, discorda dessa versão, e declarou que o filme “é uma mentira”.
2. Negligência paterna
No entanto, Asif Kapadia não poupa nem Mitch Winhouse nem a ex-mulher, mãe de Amy. O divórcio dos pais foi um catalisador do desequilíbrio da filha, um trauma. A cantora começou a tomar antidepressivos na adolescência. O diretor deixa claro, no longa, que os pais não admitiam os sérios problemas da filha. Foi durante esse período também que a britânica demonstrou os primeiros sintomas de distúrbios alimentares que a deixaram com a saúde fragilizada. Esse lado é muito bem explicado no filme e pode ser que sirva de ajuda para milhares de pessoas que sofrem com o mesmo problema.
3. O lado engraçado de Amy
Poucos sabiam que Amy Winehouse, apesar de tudo, era uma pessoa muito engraçada. Em uma entrevista com o Entertainment Tonight, o diretor afirmou que, se ela não fosse cantora, certamente teria se tornado atriz, tão evidente era sua veia de comediante. Alguns vídeos antigos recuperados pelo documentário mostram a forma bem humorada com a qual Amy lidava com determinados assuntos.
4. O ídolo era, na verdade, um fã
Tony Bennett foi fundamental na carreira de Amy, e também teve grande colaboração na realização do documentário. Bennet achava a cantora realmente um talento excepcional. Ela, porém, achava que não estava à altura dele. Essa falta de segurança fica bem visível no filme, que mostra detalhes de como foi um encontro dos dois para a gravação de “Body and Soul”. Em diversos momentos Amy recua e se mostra insegura. Tony também é responsável por outro ponto alto do filme. É ele quem anuncia que a cantora ganhou o Grammy pela música do ano. Amy levou o prêmio por “Rehab”. A comemoração desse prêmio é extremamente delicada e merece atenção.
5. Gravação original
A parte do filme em que Amy canta “Back to Black” — somente e voz, sem o acompanhamento de instrumentos — é a mesma versão que foi para o CD à qual a música dá título. Após a morte da artista, “Back to Black” se tornou o disco mais vendido no Reino Unido nestes primeiros anos do século 21. Aliás, após assistir ao filme é muito difícil ouvir o álbum da mesma maneira. Saber de todos os percalços pelo qual ela passou e toda a dor traduzida em canção traz à tona as dificuldades de uma mente que vivia em permanente estado de tristeza e confusão. Após ver o mundo cantar “Rehab” de forma cômica, questiona-se muito sobre o que há por trás da bem humorada letra. Se Amy tivesse ido para a reabilitação, talvez as coisas pudessem ter tido um outro destino.
