Baianasystem destaca importância da “amefricanidade” na música black
O vocalista do Baianasystem, Russo Passapusso, comentou sobre participação no João Rock e a importância da amefricanidade no Brasil
atualizado
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A música é uma arte que atravessa gerações, mistura culturas e, por meio dessas fusões, carrega o poder de representar múltiplas ancestralidades. No caso da música black brasileira, há uma forte influência de diferentes países, especialmente do continente africano. Nos anos 1980, a ativista e intelectual Lélia Gonzalez cunhou o termo “amefricanidade”, para expressar as raízes do povo negro que se conectam tanto com os povos africanos quanto com os ameríndios.
Durante o João Rock, realizado em Ribeirão Preto no último sábado (14/6), Russo Passapusso, vocalista do Baianasystem, resgatou o conceito de Lélia para ressaltar sua importância na construção da música nacional. Ele também destacou como o movimento aproxima diferentes gerações — algo que ficou evidente no próprio festival, que reuniu artistas como Seu Jorge e Tony Tornado, nomes de épocas distintas, mas igualmente marcantes na história da música brasileira.
“Eu vou começar com uma frase que gritado nos meus sonhos, nos meus acordar, nos meus ensaios e fica gritando dentro de mim. Existe um passado que o futuro ainda não alcançou. Quando a gente fala da música black, da música brasileira, das fusões da música brasileira, intermediando todos os forrós, todas as relações, os gritos dos movimentos sociais, a gente fala de uma cultura viva, de um Brasil vivo, de um Brasil unificado, de uma cultura de amefricanidade, a gente fala de gritos, de Lélia, de outras pessoas dentro da nossa expressão, a gente vive isso”, declarou.
Na sequência, ele trouxe o conceito de amefricanidade para o novo show do Baianasystem, o Lundu Rock Show, que estreou durante o João Rock. “Esse show fala sobre sobre isso, trata-se de um grito de África, onde a cultura dos portugueses não deixaram, mas tiveram que aceitar dentro das manifestações culturais do Brasil. Isso é Lundu”, completou.
Russo destacou que a apresentação foi como sentir “que o público tem um pouco do palco e que o palco tem um pouco do público”. Para ele, essa troca é essencial para mostrar que o palco é diferente da fotografia de um álbum. “O palco é mutante, é ser influenciado pelo que eu vejo a todo momento. Estar junto de um Tony Tornado é revelar o mar de gente no nosso peito cada vez mais se mexendo. Isso é imortal”, afirmou.
Por fim, o cantor refletiu sobre o papel da cultura na relação entre passado e futuro. “Eu poderia ficar dias aqui falando sobre isso. E quero que o Brasil conheça cada vez mais de si. Existe um passado que o futuro ainda não alcançou. Em algumas culturas, dizem que o futuro está atrás, porque você não sabe o que vem. E o passado está na frente, porque você se lembra do que viveu”, concluiu.













