As três músicas de Ney Matogrosso vetadas pela ditadura militar

Ao longo da carreira, Ney Matogrosso foi impedido de lançar três músicas por conta da censura prévia que vigorava na década de 1970

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Ney Matogrosso em foto antiga de 1976 - Metrópoles
1 de 1 Ney Matogrosso em foto antiga de 1976 - Metrópoles - Foto: Reprodução

Ney Matogrosso começou a carreira na música no início dos anos 1970. No período, ainda vigorava a censura prévia, que barrava produções artísticas que representassem uma ameaça ao regime militar da época ou que atentassem contra a moral.

De acordo com Ney Matogrosso — A Biografia, assinado por Julio Maria, o cantor teve três canções vetadas pelo Departamento de Censura, todas para o segundo disco do Secos & Molhados, lançado em 1974. Uma delas é intitulada Tristeza Militar.

João Ricardo, integrante do grupo e responsável pela letra, não usou subterfúgio poético para expressar o descontentamento com o realidade política daqueles anos. “Não há mais hora H/ Ou medo de gritar/ Tristeza Militar”, dizia um trecho da canção.

Tem Gente com Fome era um poema musicado de Solano Trindade (1908-1974), criador da Frente Negra Pernambucana, do Centro de Cultura Afro-Brasileira e do Comitê Democrático Afro-Brasileiro, entidades que não agradavam aos militares no poder. Trindade também foi criador do Teatro Experimental Negro e passou os últimos anos de vida sob a vigilância dos agentes da inteligência da ditadura.

O terceiro caso é um exemplo de como os artistas também dependiam de qual técnico da ditadura avaliaria a obra enviada ao departamento. Esses agentes eram treinados pela lógica militar, mas cada um trazia a própria sensibilidade e bagagem cultural na hora da análise de textos artísticos.

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Ney Matogrosso na juventude
Ney Matogrosso durante o serviço militar
Jesuíta Barbosa e Ney Matogrosso
Ney Matogrosso
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Ney Matogrosso

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Jesuíta Barbosa e Ney Matogrosso
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Jesuíta Barbosa e Ney Matogrosso

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A música Pasárgada era sobre o poema Vou-me Embora para Pasárgada, que Manoel Bandeira publicou em 1930.

“Em Pasárgada tem tudo/ É outra civilização/ Tem um processo seguro/ De impedir a concepção/ Tem telefone automático/ Tem alcaloide à vontade/ Tem prostitutas bonitas/ Para a gente namorar”, diz um trecho do poema.

Segundo a biografia, o problema não foi a menção às prostitutas ou à liberdade irrestrita nesse lugar fictício chamado Pasárgada, mas o “alcaloide à vontade”, que foi interpretado como algo semelhante a um entorpecente.

Interpretação dos censores

O curioso é que, em 1974, mesmo ano em que as três músicas foram reprovadas pelo Departamento de Censura, o pedido feito pelo ator Leonardo Alves para reproduzir o mesmo poema de Bandeira em uma peça foi aprovado pelo órgão.

Apenas uma cena da peça Uni-Verso precisou ser alterada pelo censor que assistiu a um ensaio da montagem. “Não permitimos o beijo boca a boca”, disse o agente.

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