Alice Caymmi comenta sobre o novo DVD, feminismo, moda e gosto musical
No novo trabalho, o registro do show “Rainha dos Raios”, a neta de Dorival Caymmi canta desde Rolling Stones e Nancy Sinatra até MC Marcinho
atualizado
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Em 2014, Alice Caymmi lançou o disco “Rainha dos Raios”, confirmando-se como um dos principais nomes da nova música brasileira. Naquele álbum, ela fez novas versões para “Iansã”, de Gilberto Gil e Caetano Veloso, e para “Meu Mundo Caiu”, sucesso de Maysa. Uma das melhores faixas, “Princesa”, é originalmente um funk de MC Marcinho.

Com o repertório incrementado – que incluiu Rolling Stones (“Paint It Black”), Donna Summer (“I Feel Love”) Nancy Sinatra (“Bang Bang — My Baby Shot Me Down”), entre outros –, o DVD “Rainha dos Raios” chega neste mês às lojas. Gravado no Teatro Itália, o projeto teve direção, concepção e roteiro de Paulo Borges – idealizador e diretor criativo da São Paulo Fashion Week – e figurino criado por Walério Araujo e João Pimenta.
Ao Metrópoles, Alice falou do DVD, de feminismo e moda. Confira o bate-papo:
Como nasceu a vontade de registrar em DVD o projeto “Rainha dos Raios”?
O disco é muito imagético e tem como base trilhas sonoras de filmes como os “westerns spagetti” e o cinema de Tarantino. Portanto, nada melhor do que transformá-lo em material audiovisual.
O disco foi lançado por uma gravadora pequena e o DVD está a cargo de uma gravadora multinacional. Essa mudança reflete no seu trabalho?
A mudança para uma multinacional não tirou de mim, de forma alguma, minha autonomia artística. Ao contrário de alguns artistas, cheguei já pronta, com um disco pronto e muitas ideias na cabeça.
Por ter mais faixas, o DVD vai além do disco. Quais foram os critérios para escolha do repertório?
Eu tentei ser despretensiosa e usar minha intuição, do mesmo jeito que fiz com o disco.
Suas músicas e sua postura são feministas e isso sempre é abordado nas entrevistas. Incomoda a alcunha de “artista feminista” ou isso acaba tornando as entrevistas espaços de debate sobre o tema?
Acho maravilhoso, mas não creio que a minha imagem como feminista tenha engolido a minha imagem como artista. Pretendo não deixar isso acontecer e também não acho possível. Meus discursos são plurais e muito diretos ao mesmo tempo. Tento deixar isso muito claro o tempo todo.
É você quem faz seu próprio figurino? Quem são suas referências na moda?
Eu, com ajudas luxuosas de muitos artistas que encontrei pelo caminho. Ultimamente tenho trocado ideais mais com o Felipe Veloso e estamos “compartilhando o guarda roupa” (risos). Minha maior referência na moda é o Alexander McQueen, meu ídolo.

Uma das músicas do repertório é “Princesa”, de MC Marcinho. Você ouve funk? Quem são suas outras influênciais musicais?
Eu ouço funk e ouço de um tudo. É impossível definir minhas influências.
Até que ponto ser uma Caymmi ajuda e atrapalha na carreira?
Só atrapalha as entrevistas (risos) . De resto, as pessoas querem mais é se divertir e esquecer o passado.
Existe previsão da turnê de “Rainha dos Raios” chegar a Brasília?
Eu adoraria, mas ainda não
Quais são os próximos projetos da carreira?
O próximo disco novo já está sendo esboçado…
