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Em setembro de 2009, o Brasil foi sacudido pela notícia do vazamento das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A história foi revelada pela repórter Renata Cafardo, do Estado de S. Paulo, e ganha contorno aprofundado no livro “O Roubo do Enem”. A autora lança a publicação nesta terça-feira (14/11), às 19h30, no Iesb (613/614 Sul), onde também fará palestra sobre bastidores da denúncia. 

Especializada em educação e com 17 anos de experiência, a paulista sabia que tinha um potente furo jornalístico em suas mãos assim que a divulgação das questões da prova lhe foram narradas em um telefonema feito à redação do jornal.

Naquele ano, o exame seria aplicado simultaneamente em todo o Brasil pela primeira vez, numa escala que alcançaria pelo menos 4 milhões de estudantes. Portanto, o vazamento das questões da prova poderia significar o naufrágio de uma reformulação ambiciosa feita pelo então ministro da Educação, Fernando Haddad.

“Até aquele ano, o Enem era um exame simples com apenas 63 questões e era usado para avaliar o desempenho dos estudantes durante o ensino médio. Em 2009, o ministro da Educação, Fernando Hadad, resolveu valorizar a prova criando um sistema de seleção nacional. A nota passava a valer como entrada em várias universidades. Portanto, de fato, valia alguma coisa”, ressalta a jornalista.

A notícia do vazamento, publicada no “Estadão”, forçou o adiamento das provas e uma investigação policial para encontrar os responsáveis pela antecipação das questões dos exames.

O escândalo fez com que o Ministério da Educação (MEC) reforçasse o controle em torno das folhas de avaliação. Daí para a frente, a pasta passou a se responsabilizar pela segurança e pelo transporte do material.

A denúncia forçou alterações significativas na forma de produção e distribuição do maior exame do Brasil. Tanto que o vazamento antecipado nunca mais se repetiu.

O livro tem trama dinâmica, com idas e vindas na linha temporal dos fatos apresentados. Narrada pela perspectiva da jornalista, em primeira pessoa, a publicação serve como um testemunho dos bastidores da notícia.

O livro é interessante para estudantes, jornalistas e qualquer outra pessoa interessada em conhecer como é feito o trabalho jornalístico"
Renata Cafardo

A repórter passou a ser perseguida pelo grupo de criminosos que havia executado o roubo. Durante um período, precisou contar com proteção policial. “Eles queriam receber dinheiro. Mas o jornalista não pode pagar para ter informação. Recebi algumas ameaças e proteção policial, mas isso parou”, acredita.

“O Roubo do Enem” acumulou troféus e indicações. Venceu os prêmios Embratel, Ayrton Senna, Estado e foi finalista no Esso de Jornalismo.

Trecho de “O Roubo do Enem”:

“Um deles perguntou se eu estava gravando o encontro. A pedido do Estadão, eu tinha um gravador em cada bolso do casaco, ambos ligados. Respondi que não. O moreno acreditou e abriu a pasta. Tirou um caderno cheio de folhas brancas e a fechou de novo. Notei que havia mais coisa lá dentro. Ele deixou que eu manuseasse o material e não percebeu minhas mãos trêmulas. Passei a virar página por página, com o cuidado de quem duvida do que vê. Connasel, Inep, siglas familiares. […]

Eu ainda não tinha certeza disso, mas, na noite de 30 de setembro de 2009, havia folheado o Enem. Naquele ano, pela primeira vez, a prova tinha sido levada à posição de maior vestibular da história do país por decisão do Ministério da Educação. Seria aplicada a 4,1 milhões de estudantes em todo o Brasil, dali a três dias. Deveria estar guardada sob rigoroso sigilo.”

“O Roubo do Enem” (Record, R$ 39,90), de Renata Cafardo
A autora participará de palestra sobre o livro nesta terça-feira (14/11), às 19h30, no auditório D do Iesb Campus Sul (613/614 Sul). Entrada gratuita. Classificação indicativa livre

 

 

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