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A espiritualidade é um tema em voga: gurus de todos os tipos, seitas e religiões clássicos e modernos colocaram o tema no centro do discurso. Aproveitando esse momento, o filósofo Luiz Felipe Pondé encerra sua “trilogia para corajosos” com um livro sobre esse assunto. Espiritualidade para Corajosos: A Busca de Sentido no Mundo de Hoje (Editora Planeta, 192 páginas) será lançado em Brasília, nesta quinta-feira (9/8), às 19h.

O livro é o terceiro da sequência que já debateu o amor e a filosofia – sempre tendo a bravura como mote. “A coragem aparece no sentido do pensamento, algo um pouco raro atualmente, nesse mundo em que se escreve para agradar a leitores ou a seguidores”, diz Pondé, em entrevista ao Metrópoles.

Professor de filosofia da religião durante 22 anos na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Pondé trafega com tranquilidade pelo tema. No livro, o pensador busca trabalhar a espiritualidade diante dos desafios contemporâneos, em um contexto desassociado das instituições da fé.

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Mas para que serve a espiritualidade em um mundo tão material quanto o atual? Pondé recorre a uma definição clássica do termo: a busca de forma teórica e prática de um sentido maior para as coisas. A partir disso, o autor mergulha na discussão sobre as religiões, redes sociais e mercado.

Para o filósofo, a espiritualidade e a religião, ao longo do século 20, se separaram. Ela pode ser praticada sem a institucionalidade de uma igreja ou de um templo: o que é bom e ruim ao mesmo tempo.

Assim, ateus podem ser espiritualizados. Na definição da obra, espiritualidade tem obrigatoriamente uma dimensão teórica e outra prática, com as duas atuando na busca de um sentido maior para as coisas.

“A espiritualidade no ateísmo é um tema que tem aparecido em autores como o francês Luc Ferry. Parte da seguinte ideia: só posso viver bem se vivo bem com um grupo de pessoas. Deixo de ser o centro do mundo, essa posição passa a ser ocupada pelas responsabilidades e vínculos da sociedade”, explica Pondé.

Ao mesmo tempo em que se afasta das religiões, a espiritualidade ganha um contexto pós-moderno: vira mercadoria. “A espiritualidade desassociada de uma prática religiosa tende a ser esvaziada e se tornar uma moda, uma crença em filmes, livros, séries e games. É o vampirismo de Crepúsculo, a cientologia, a igreja de Thor”, aponta Pondé.

Política e intolerância
Ao discutir política e espiritualidade, Pondé critica por exemplo a militância do Partido dos Trabalhadores – agremiação alvo de boa parte da reflexão do filósofo na mídia.

“Política como espiritualidade é um tema clássico na filosofia da religião do século 20. Está associada a ideia de uma sociedade igual, onde todo mundo se ama, que é idealizada por um partido. É um pouco a experiência que muita gente teve em relação ao PT nas últimas décadas e algumas seguem tendo”, avalia.

Apesar de não tocar nesse tema no livro, Pondé não se furta do debate sobre a intolerância religiosa. Para ele, o Brasil não têm histórica de crimes por essa questão, mas admite a existência do preconceito na sociedade.

O candomblé ainda sofre preconceito no brasil por ser uma religião de negros e pobres"
Luiz Felipe Pondé

Lançamento Espiritualidade para Corajosos
Nesta quinta-feira (9/8), no Teatro Eva Herz da Livraria Cultura (Shopping Iguatemi), às 19h. Entrada franca