Há 100 anos, o escritor Afonso Henriques de Lima Barreto (1881-1922) – que havia alcançado a fama nacional com o livro “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, dois anos antes – começou a atuar como jornalista, publicando crônicas em folhetins do Rio de Janeiro.

Seus textos, sempre irônicos, criticavam a vida política do Brasil na República Velha. No diário “A.B.C.”, ele narra as confusões de um país fictício chamado República dos Estados Unidos da Bruzudanga. As crônicas tiveram tanta repercussão que foram transformadas no livro “Os Bruzudangas” em 1923, quando o escritor já havia morrido.

De acordo com os dicionários, o termo “bruzudangas” significa barafunda, ninharia, coisa de pouca serventia. É a partir dessa brincadeira que Lima Barreto faz paródias sobre os personagens e as situações que ocorriam na República – que, em muitos casos, assemelham-se aos fatos atuais da política nacional brasileira.

Nova edição
“Os Bruzudangas” foi relançado neste mês pela editora Carambaia (R$ 129,90), com duas novidades. A primeira diz respeito à ilustração das páginas do livro, feitas pelo artista plástico Fernando Vilela, que funciona como folioscópio (também conhecido como flip book). Assim, as imagens ganham movimento quando as folhas são passadas com rapidez.

Outra mudança fica por conta da publicação do texto “Numa e a Ninfa”, escrito por Lima Barreto em 1915 para o jornal “A Noite”, junto ao “Os Bruzudangas”. Nessa obra, de acordo com os registros à época, o autor “romanceava vários escândalos dos milhares que assinalaram o governo Hermes como o mais corrupto da história”.

A Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) irá homenagear Lima Barreto neste ano. Além de resgatar a trajetória do escritor, o evento fará diversos debates sobre sua obra e trará à tona as questões sociais que envolvem o universo do autor.