Jornalista Carlos Messias estreia na ficção com Consolação
O "livro-rolê" explora padrões masculinos

O protagonista do primeiro romance do jornalista e escritor Carlos Messias, Consolação, começa o livro numa situação infeliz: um término de namoro doloroso e a demissão sumária da redação de jornal em que trabalhava. O que se desenvolve nas 300 páginas seguintes são a imaginação e as tentativas de um paulistano de 30 anos tentando se adaptar aos tempos de redes sociais e aplicativos de relacionamentos, além de uma reflexão sobre a masculinidade tóxica – e como ela age sobre as relações sociais.
Publicado pela nova editora Prosaica (também criada por Messias), o livro será lançado, nesta terça-feira (18/06/2019), na Livraria da Vila (R. Fradique Coutinho, 915), às 18h30.
O romance foi bancado num sistema de “party-funding”: o escritor produziu edições de “uma festa libertária no Centro que dialoga com o universo do romance”, e o dinheiro arrecadado pagou todas as despesas. O livro já está disponível em “pontos estratégicos” de São Paulo, como a Livraria da Vila, e na Estante Virtual – em breve, também, no Submarino e na Amazon – e no dia 28 de junho, uma nova festa, dessa vez a de lançamento, será realizada no Espaço Nobre, no Anhangabaú.
Redes Sociais
Inspirado pelas portas abertas pelo Pornopopéia, de Reinaldo Moraes, Messias fabrica um personagem que também leva o hedonismo como filosofia de vida, e que aqui – nos muitos “rolês” que faz pela cidade – encontra questões contemporâneas. “Construí o narrador como uma espécie de esquerdomacho alegórico. Como grande parte de quem comete atos terríveis, ele não é péssima pessoa. Muitas vezes tem boas intenções, mas é tão desconectado de si mesmo e, principalmente, do outro, que se mostra incapaz de demonstrar sensibilidade e empatia. Minha intenção foi mimetizar como os padrões de masculinidade tóxica são demonstrados e perpetuados no piloto automático.”
Como não poderia deixar de ser, as redes sociais desempenham papel fundamental nessa construção. “Mais do que uma mulher, eu havia me apaixonado por um perfil das redes sociais”, diz o narrador em um momento.
“Uma das finalidades de Consolação foi registrar o seu tempo, ou ao menos um recorte dele”, explica o autor. “É difícil pensar em um relacionamento hoje em dia que, pelo menos em algum momento, não tenha passado pela esfera virtual.”


