Florencia Ferrari, ex-diretora da Cosac Naify, cria a própria editora

Ela comanda agora os primeiros passos da Ubu Editora, em sociedade com Elaine Ramos (ex- diretora de arte da Cosac) e Gisela Gasparian

atualizado

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Emília Silberstein/Projeto Lupa
Florencia Ferrari
1 de 1 Florencia Ferrari - Foto: Emília Silberstein/Projeto Lupa

Texto: Naiara Leão

Business plan, marketing, avaliação de riscos. Palavras do mundo dos negócios andam na ponta da língua de Florencia Ferrari, ex-diretora editorial da Cosac Naify que comanda agora os primeiros passos da Ubu Editora, em sociedade com Elaine Ramos (ex- diretora de arte da Cosac) e Gisela Gasparian (administradora e neta de Fernando Gasparian, fundador da Paz e Terra, uma das grandes editoras dos anos 60).

Ao ser informada do encerramento imediato da Cosac no dia 30 de novembro de 2015, onde trabalhou por 12 anos, Florencia ficou “no primeiro dia em choque; no segundo, pensando: ‘O que vou fazer?’; no terceiro, com a mão na massa”. Em janeiro, ela já tinha em mãos um plano de negócios.

A investida veio da constatação de que fazer livros era muito mais do que um emprego. “Na graduação em Ciências Sociais, eu fazia com um grupo de antropólogos mais velhos uma revista que se chamava Sexta Feira – Antropologia, Artes e Humanidades. A gente entrevistava antropólogos e todos os grandes cineastas que estavam vivos, como Eduardo Coutinho e Nelson Pereira dos Santos, via todos os filmes, fazia uma curadoria de áreas e colocava gente diferente pra conversar”, conta Florencia.

A Cosac foi meu lugar de profissionalização, mas sempre achei que o conhecimento produzido por uma área não deveria ficar restrito a ela, deveria circular. Me dei conta de que isso tinha muito a ver com minha própria história

Florencia Ferrari

A parceria com Elaine, que também estava em busca de um novo caminho profissional, sacramentou o chamado. “Quando a gente conversava sobre o fim da Cosac, sempre falávamos: ‘Isso não pode deixar de existir! É um tipo de projeto cultural único, que amarra diferentes áreas numa realização não comercial’”, lembra.

Emília Silberstein/Projeto Lupa

Foi aí que chegou Gisela, só pra dar uma ajudinha no plano de negócios, pois estava num período sabático cuidando da filha pequena. Mas se envolveu tanto com o sonho da Ubu que acabou ficando. Tornou-se sócia.

A editora nasceu muito ligada conceitualmente à antiga casa (o catálogo inicial da Ubu é composto por 35 títulos comprados da Cosac), mas com um detalhe que faz toda a diferença: as sócias não são milionárias — Charles Cosac, que era dono da Cosac, é um herdeiro de mineradoras que ficou conhecido pela gestão perdulária da editora.

“Tem projetos que só o Charles Cosac poderia fazer porque dispunha de dinheiro próprio. Por exemplo, na Cosac tínhamos um livrão do Franco Moretti traduzido do italiano de umas mil páginas sobre o romance [A Cultura do Romance, 2009]. São uns cento e tantos textos sobre o que é o romance na literatura. Ele deve ter tido uma tiragem de dois, três mil exemplares. E mesmo que você venda toda essa tiragem, não paga a impressão, parte da tradução… Você teria que vender 15 mil exemplares para cobrir esse custo. Só que não existem 15 mil pessoas para comprar esse livro. E não estamos falando de luxo, mas de um projeto para a cultura brasileira. É um mecenato, algo que você acha importante existir a fundo perdido. Só que esse tipo de coisa pra gente está fora de cogitação.”

Naturalmente vai se dar um afastamento da ideia das editoras porque a gente não é o Charles, não temos a sua aura, não somos donas de uma coleção de arte extraordinária. Temos uma abordagem muito mais pragmática

Florencia Ferrari

Quer ler o texto completo? Acesse Projeto Lupa e confira na íntegra a história de Florencia.

O Projeto Lupa reúne depoimentos e fotos de profissionais ligados à arte de contar histórias. O site apresenta escritores, jornalistas, roteiristas, contadores de histórias, dramaturgos, redatores publicitários, letristas musicais, que têm algo em comum: a paixão pelas palavras.

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