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O que Clarice Lispector, Jack Kerouac e Victor Hugo têm em comum, além de terem sido escritores – e dos excelentes? Autor do imprescindível “Os Miseráveis”, o francês lançou seu primeiro livro aos 29 anos: “O Corcunda de Notre-Dame” (1891). Jack Kerouac tinha apenas 28 anos quando disse a que veio: “The Town and The City” (1950).

E Clarice? A obra “Perto do Coração Selvagem” (1943) foi lançada quando a ucraniana-pernambucana mais lida da história, mas hoje desgraçadamente transformada num musa frasista de Facebook, tinha somente 23 aninhos.

Na literatura, dizem os entendidos, a experiência de vida – e seus sabores e dissabores, amores e desamores, sorrisos e lágrimas e o que mais quer que seja – é fundamental para um bom roteiro.

Talento e persistência
Pode ser ou não. Mas os três exemplos acima provam que dá, sim, para começar cedo – desde que se tenha talento e uma persistência de santo. Sim, perseverança: “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, da escritora J.K. Rowling, foi rejeitado por 12 vezes!

E há quem creia firmemente, com raras exceções: livro de estreia serve para estancar a tortura pessoal da dúvida (se publica-se ou não, se é bom ou não e por aí vai).

Bem, há pouco mais de quatro anos, nascia e se popularizava uma outra Clarice, a Freire. Também pernambucana. Enigmática e existencial como a Clarice, a Lispector? E nessa mesma época, surgia também o escritor Pedro Gabriel.

Autores, respectivamente, de “Pó de Lua” e “Eu me Chamo Antônio”, os dois passam por Brasília no sábado (8/10) com o que eles chamam de uma turnê poética”. O encontro será partir das 15h na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi. A sessão de autógrafos será precedida de debate.

Divulgação

De novos e velhos
Há alguma ousadia aqui de comparar os dois novos autores a Clarice Lispector, Jack Kerouac e Victor Hugo? Nenhuma. Nem sequer é possível cravar que se tornem profissionais do ramo, definitivamente.

É uma mera contraposição para lembrar como e quando os grandes começaram e como estão começando talvez futuros grandes escritores – e num ambiente bem distinto, de uma intensa (e até insana) fluidez de ideias.

Clarice Freire nasceu numa família de artistas. O pai, o médico Wilson Freire, é poeta, cineasta e músico: compôs várias músicas com o brincante e multi-instrumentista Antônio Nóbrega, por exemplo.
O primo Marcelino Freire já ganhou o Prêmio Jabuti de Literatura, em 2006, na categoria contos, pela obra Contos Negreiros. A irmã, Sofia, é cantora. Bem, se for puxar o novelo, haja tempo para desfiá-lo.

Jeitos curiosos de produzir
Pedro Gabriel, por sua vez, é quatro anos mais velho do que Clarice, mas tão jovem quanto. Filho de pai suíço e mãe brasileira, nasceu no Chade e veio para cá quanto tinha 12 anos.

Ambos têm mais em comum o fato de serem publicitários: formas e jeitos curiosos de produzir. Clarice produz quando “a noite fica mais escura”. Tanto que o segundo livro chama-se “Pó de Lua nas Noites em Claro”, foi escrito nas madrugadas: cada capítulo nascia da meia-noite ao amanhecer.

Pedro, por sua vez, começou a carreira literária em guardanapos: o livro “Eu me Chamo Antônio” surgiu em anotações num bar.

Clarice tem incríveis 1,3 milhão de seguidores no Facebook. Pedro já vendeu 200 mil cópias – e tem também outros tantos milhares de seguidores on-line.

Clarice Freire e Pedro Gabriel — Turnê poética
Dia 8/10 (sábado), a partir das 15h, na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi (Asa Norte). Entrada franca. Classificação indicativa livre.

 

 

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