Carnaval 2026

JOMO no Carnaval: por que jovens estão ficando afastados da folia

Jovens passaram a adotar uma visão em relação ao Carnaval e não tem mais medo de ficar de fora da folia. Entenda

atualizado

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Imagem colorida de pessoa descansando no sofá no meio da festa - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida de pessoa descansando no sofá no meio da festa - Metrópoles - Foto: Encal Media/Unsplash

O Carnaval sempre foi visto como uma das datas mais aguardadas do calendário brasileiro. Nas redes sociais, contudo, um novo comportamento vem ganhando força e mudando a forma como parte do público enxerga a tradicional festa. Cada vez mais pessoas têm escolhido ficar fora da folia. E não é por falta de opção.

O movimento, que aparece com mais força entre jovens da Geração Z, é conhecido como JOMO (sigla para Joy of Missing Out, em inglês), que significa “alegria de ficar de fora”. Ele é o contraponto do conhecido FOMO, o medo de estar perdendo algo importante.

Enquanto o FOMO está ligado à ansiedade de não participar de algum evento, como o Carnaval, o JOMO segue o caminho inverso. Em vez de preocupação, surge um sentimento de alívio. Em alguns casos, até de satisfação por não precisar acompanhar o ritmo coletivo e por poder viver o feriado de forma mais tranquila.

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Foliã se refresca no lago do Museu da República
Vassourinhas de Brasília é o bloco mais antigo da capital
Pernambucana, dona Graça curte o Carnaval no DF pela 1ª vez
Brasília entra oficialmente no clima de Carnaval neste fim de semana (13 a 15/2), com uma programação diversa espalhada por várias regiões do DF
Bloco do Amor reúne foliões no Museu da República, no DF
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Bloco do Amor reúne foliões no Museu da República, no DF

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Foliã se refresca no lago do Museu da República
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Foliã se refresca no lago do Museu da República

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Vassourinhas de Brasília é o bloco mais antigo da capital
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Vassourinhas de Brasília é o bloco mais antigo da capital

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Pernambucana, dona Graça curte o Carnaval no DF pela 1ª vez
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Pernambucana, dona Graça curte o Carnaval no DF pela 1ª vez

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Brasília entra oficialmente no clima de Carnaval neste fim de semana (13 a 15/2), com uma programação diversa espalhada por várias regiões do DF
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Brasília entra oficialmente no clima de Carnaval neste fim de semana (13 a 15/2), com uma programação diversa espalhada por várias regiões do DF

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

Apesar de aparentar ser um comportamento mais restrito às redes sociais, especialmente entre os jovens, Bianca Dramali, professora de marketing e comportamento do consumidor da ESPM, avalia que essa escolha não deve ser encarada como uma moda passageira, como acontece com trends virais.

Para ela, o JOMO deixou de ser apenas um conceito da internet e passou a se refletir em decisões reais, principalmente em datas marcadas por uma espécie de pressão social, como o Carnaval.

“Esse comportamento emergente estava por aí há um tempo. Hoje fica mais evidente e visível porque atingiu ao que chamamos de maioria inicial, uma parte significativa do mainstream”, pontuou.

A mudança de comportamento também aparece em números. Uma pesquisa da AtlasIntel, divulgada no dia 9 de fevereiro, aponta que 47,2% dos brasileiros pretendem ficar em casa durante o Carnaval, sem participar de blocos, festas ou eventos.

Entre os jovens da chamada Geração Z (nascidos entre 1997 e 2010), o afastamento da folia é ainda mais expressivo. 47,8% desse grupo afirmam não se identificar com o período por falta de conexão cultural com a festa.

Entre os principais motivos citados estão a aversão à música e à multidão (42,8%) e a sensação de não ter relação com o Carnaval como tradição (41,3%).

Mais do que rejeitar a festa, o comportamento revela uma mudança de mentalidade: para muitos, a escolha de não participar também pode ser uma forma de viver o feriado com mais autonomia. Na visão da professora, esse movimento tem relação direta com o desejo de controlar melhor o próprio tempo e a própria energia.

Impacto das redes sociais nas escolhas

Outro fator que ajuda a explicar o crescimento do JOMO é o desgaste provocado pelo excesso de estímulos. Para parte do público, o Carnaval passou a se misturar com a pressão das redes sociais: registrar tudo, aparecer o tempo todo e mostrar felicidade constante virou parte do pacote.

Foto colorida de aglomeração de ambulantes no bloco Agrada Gregos, no Ibirapuera - Metrópoles
Aglomeração de ambulantes no bloco Agrada Gregos, no Ibirapuera

Segundo a especialista, quem adota essa mentalidade passa também a enxergar as redes sociais de outra forma.

“Quem já adotou essa mentalidade JOMO está resgatando o verdadeiro sentido das redes sociais: um espaço de relacionamento, influência e conversas com pessoas que tenham interesses em comum. Rede social é um conceito que precede as redes sociais digitais”, explica.

A especialista reforça ainda que existe um comportamento de transição entre o FOMO e o JOMO, conhecido como FOBO (Fear of Better Option), que é o medo de abrir mão de uma opção melhor.

“É aquela sensação de que não quero mais deixar o hiperestímulo me comandar, a ansiedade me governar com tantas opções. Mas ainda não consigo dizer que estou bem com a sensação de perder algo deliberadamente por escolha própria”, afirma.

Nesse cenário, o Carnaval deixa de ser obrigação e passa a ser apenas mais uma escolha possível. Para muitos jovens, o verdadeiro luxo agora é poder dizer “não” sem culpa e encontrar satisfação no descanso e na liberdade de não participar.

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