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Review: Marvel’s Wolverine impressiona no visual, mas tropeça na história

Novo exclusivo do PS5 acerta na violência dos combates e entrega uma produção tecnicamente espetacular, embora falte foco à jornada de Logan

11/09/2026 12:38
Foto: Divulgação
foto colorida do game Marvel’s Wolverine - metrópoles

Poucos personagens dos quadrinhos combinam tanto com um jogo de ação quanto Wolverine. Suas garras de adamantium, o fator de cura e a personalidade explosiva oferecem tudo o que um estúdio precisa para construir combates brutais. Desenvolvido pela Insomniac Games, responsável por Marvel’s Spider-Man, Marvel’s Wolverine finalmente transforma esse potencial em uma aventura própria no PlayStation 5.

O resultado é um jogo visualmente impressionante, violento e capaz de entregar momentos empolgantes. Entretanto, a experiência não mantém o mesmo nível em todos os seus pilares. Enquanto a parte técnica está entre os grandes destaques da atual geração, a narrativa tenta explorar tantas referências do universo mutante que acaba deixando o próprio protagonista em segundo plano.

Uma guerra contra os mutantes

A campanha apresenta um universo no qual os X-Men ainda não existem como equipe. Nesse cenário, Bolivar Trask lidera uma ofensiva contra a população mutante, enquanto a chamada Equipe X, comandada por Nathaniel Essex, reúne Wolverine, Mística e Dentes de Sabre.

O início estabelece um conflito promissor, com humanos e mutantes cada vez mais próximos de uma guerra. A presença de Trask e de suas Sentinelas ajuda a criar a sensação de que Logan está diante de uma ameaça capaz de atingir todos aqueles que compartilham de sua condição.

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A narrativa perde força quando tenta transformar a perseguição aos mutantes em uma ameaça mundial. Embora a campanha leve Logan a diferentes partes do planeta, quase nada nesses lugares demonstra os efeitos desse conflito. Assim, o plano de Trask parece mais uma obsessão particular do vilão do que um perigo capaz de atingir mutantes em escala global.

Além disso, a trama reúne conceitos, personagens e referências suficientes para sustentar vários jogos. A quantidade de elementos ligados aos X-Men pode agradar aos fãs, mas também desvia o foco de uma história que deveria pertencer principalmente a Wolverine.

Um Logan diferente do esperado

A interpretação escolhida pela Insomniac apresenta um Wolverine mais contido e introspectivo. Logan ainda protagoniza explosões de raiva e demonstra toda a sua brutalidade durante os confrontos, mas passa boa parte da campanha seguindo ordens e reagindo às decisões de outros personagens.

A abordagem não é necessariamente ruim, porém reduz a força de sua jornada pessoal. Em vez de aprofundar os traumas, os conflitos internos e as escolhas do protagonista, o roteiro frequentemente utiliza Logan como porta de entrada para uma história maior sobre o surgimento desse universo mutante.

A narrativa funciona melhor quando aproxima Wolverine dos planos de Nathaniel Essex ou o coloca diretamente contra Trask e as Sentinelas. Nessas sequências, o tratamento dado aos mutantes justifica a fúria do personagem e conecta a violência do combate ao que está acontecendo na história.

Esse foco, contudo, não dura muito. A campanha abre espaço para desvios que interrompem a progressão dramática, incluindo uma passagem pelo Japão que parece ter sido adicionada mais pelo peso dessa fase na mitologia do personagem do que pela necessidade da trama.

O passado de Logan também poderia ter recebido maior destaque. Parte de suas memórias é apresentada por meio de atividades opcionais encontradas em “portas mentais”. Esses desafios liberam áudios sobre acontecimentos anteriores, mas a ausência de cenas mais elaboradas reduz o impacto de revelações que deveriam ajudar a construir emocionalmente o protagonista.

Garras afiadas, combate limitado

É durante as batalhas que Marvel’s Wolverine mostra sua característica mais marcante. O combate é veloz, sangrento e transmite muito bem o peso dos golpes. As garras deixam marcas evidentes nos inimigos, e as finalizações transformam Logan na máquina de combate que os fãs esperam encontrar.

A progressão concede pontos para desbloquear habilidades e ampliar o repertório do personagem. Também existem seis técnicas especiais, das quais quatro podem ser equipadas ao mesmo tempo. Elas adicionam opções ofensivas e ajudam a lidar com grupos maiores ou adversários mais resistentes.

Outro sistema permite melhorar atributos como dano, defesa, regeneração e faro. Já a barra de fúria é dividida em três estágios e torna Wolverine progressivamente mais agressivo, permitindo que ele cause grandes quantidades de dano e sobreviva a situações extremas.

Apesar da boa sensação inicial, o sistema não evolui o suficiente ao longo da campanha. Os combos são relativamente simples e muitas batalhas acabam seguindo a mesma combinação de ataques básicos e técnicas especiais. O problema se torna mais perceptível conforme novos grupos de inimigos passam a repetir estruturas já conhecidas.

Isso não significa que Logan seja invencível. Sua regeneração pode ser interrompida caso o jogador receba vários golpes em sequência, fazendo com que erros sejam punidos rapidamente. Ataques comuns podem ser aparados, golpes destacados em amarelo abrem espaço para contra-ataques e investidas vermelhas exigem uma esquiva imediata.

As regras funcionam e mantêm o jogador atento, mas faltam possibilidades para tornar cada confronto verdadeiramente diferente do anterior.

Campanha passa das 20 horas

Marvel’s Wolverine não segue o formato de mundo aberto utilizado pela Insomniac nos jogos do Homem-Aranha. A aventura é dividida em fases lineares, com aproximadamente 30 missões e uma campanha que pode ultrapassar 20 horas. A busca por itens opcionais aumenta esse tempo.

A estrutura linear beneficia o ritmo da ação e permite que o estúdio apresente cenários variados. As fases combinam exploração, confrontos, perseguições a pé ou de moto e pequenas áreas escondidas. Em determinados trechos, também é possível escolher entre uma abordagem furtiva e o combate direto.

O design das fases é consistente e evita que os ambientes pareçam apenas corredores. Mesmo sem grande liberdade, os cenários oferecem espaços suficientes para que o jogador escolha como iniciar alguns confrontos.

Entre os conteúdos opcionais estão 32 trajes, 25 variações de garras e bebidas colecionáveis espalhadas pelos cenários. As roupas, porém, têm função limitada na progressão. Elas podem aumentar a vida total de Logan, mas não modificam profundamente seus atributos nem oferecem habilidades exclusivas, servindo principalmente como opções visuais.

Após a conclusão da história, o modo Novo Jogo+ permite recomeçar a campanha mantendo parte da evolução. A modalidade também adiciona técnicas e melhorias, oferecendo um motivo para quem deseja retornar aos combates com um Wolverine mais poderoso.

Vale a pena jogar Marvel’s Wolverine?

Marvel’s Wolverine entrega exatamente a violência que se espera de um jogo protagonizado por Logan. Os combates são viscerais, o visual está entre os melhores do PS5 e a variedade de cenários ajuda a sustentar uma campanha de duração considerável.

A aventura perde força, entretanto, ao tentar apresentar muitos elementos da mitologia dos X-Men sem dar ao protagonista a profundidade necessária. A história começa com um conflito interessante, mas se dispersa em diferentes direções e não consegue aproveitar completamente o passado ou os dilemas pessoais de Wolverine.

Mesmo com essas limitações, o título possui momentos memoráveis e demonstra que o personagem funciona muito bem fora dos quadrinhos e do cinema. A Insomniac construiu uma base promissora, ainda que esta primeira aventura solo não tenha alcançado todo o potencial de suas garras.

Nota: 7,5/10

Marvel’s Wolverine será lançado em 15 de setembro de 2026 para PlayStation 5. A análise foi realizada com uma cópia disponibilizada pela PlayStation.