Mandinga – A Tale of Banzo: brasiliense lança game sobre história do Brasil
O jogo acompanha Akil e Obadelê, escravizados que lutam por liberdade e vão ao Quilombo do Urubu; Trilha sonora tem hit de Renata Jambeiro
atualizado
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Golpes de capoeira, poderes evocados de orixás e a força dos escritos do alcorão. Esses são alguns dos recursos utilizados pelos protagonistas do game Mandinga – A Tale of Banzo em uma luta contra o sistema escravocrata para conquistar a liberdade. Ambientado no período do Brasil Império, o jogo resgata de forma lúdica e divertida a história do Brasil.
Inspirado na ideia original do mestre em História Suâmi Abdalla-Santos e desenvolvido pelo brasiliense Philippe Lepletier, fundador da Uruca Game Studio, o lançamento apresenta os heróis Akil e Obadelê, dois homens sequestrados no continente africano para as atrocidades do trabalho escravo que fogem de seus algozes numa jornada até o Quilombo do Urubu (Orobu). Para alcançar o objetivo, os protagonistas enfrentam inimigos como feitores, capitães do mato, bandeirantes, mercenários e até animais selvagens.
“Tivemos muito cuidado ao tratar desse tema. Nossa intenção nunca foi roubar o protagonismo da luta antirracista, apenas narrar fatos históricos que vêm sendo distorcidos e que ainda são pouco conhecidos das pessoas”, explica Philippe Lepletier, em entrevista ao Metrópoles.
O roteiro, assinado por Lahiri Abdalla, destaca as diferentes culturas, crenças e línguas do povo negro. Enquanto Akil é um mulçumano e intelectual da etnia mandinga, Obadelê é um forte guerreiro iorubá e mestre da capoeira. “Mostrar as individualidades de cada um quebra esse esteriótipo de que todos os escravizados eram iguais”, pontua o desenvolvedor do jogo.
A Uruca Game Studio começou a produzir jogos com temáticas brasileiras desde o lançamento do jogo Banzo: Mark of Slavery, revela Philippe. “Começamos a gostar de contar essas histórias escondidas da cultura brasileira. Histórias que são ensinadas para a gente nas escolas, mas que não ganham reforços na mídia pop de hoje em dia e acabam se perdendo”, afirma.

Para embalar a narrativa do jogo, Philippe escolheu a canção Jogo de Angola, composta por Mauro Duarte e Paulo Cezar Pinheiro e gravada pela cantora Renata Jambeiro em seu disco Sambaluaiê. “O jogo e a letra da canção se casam perfeitamente. A música fala de luta, de respeito, de ancestralidade e é tudo que o game aborda”, considera a artista.
A cantora salienta a importância de Mandinga – A Tale of Banzo para que o debate sobre igualdade racial chegue a um maior número de jovens ao redor do mundo. “Além de Philippe ser um amigo de longa data, eu achei muito interessante pela valorização, reconhecimento e de reverência à cultura afrobrasileira”, diz Jambeiro.
Jogabilidade
Mandinga – A Tale of Banzo tem como cenários a fazenda de plantação de cana-de-açúcar e cidades da Bahia, o game promove batalhas em turnos, da mesma forma que os clássicos RPGs da Era de Ouro dos consoles SNES e Mega Drive. A diferença é que o conjunto de dados é utilizado para atacar e lançar habilidades. “A gente pensou no jogo com muita influência do cinema”, completa o criador.
Itens equipáveis, como armas, armaduras, acessórios e habilidades destravadas por nível fornecem um dado para o conjunto do personagem. O máximo de dados que cada personagem pode jogar, em uma batalha, é cinco. O jogador pode montar até cinco desses conjuntos para serem usados durante a batalha, podendo trocar conforme a estratégia do momento. O jogo está à venda na plataforma Steam.













