Galinho de Brasília é cancelado: "Impedidos de ciscar em seu terreiro"
O bloco tradicional Galinho de Brasília anunciou o cancelamento dos desfiles que ocorreriam sábado e segunda nas ruas da capital

O Galinho de Brasília não vai sair no Carnaval de 2023. O bloco tradicional anunciou no Instagram que foi “impedido de ciscar em seu terreiro justamente por aqueles que, de acordo com uma de suas missões, têm o dever de protegê-los”. Além do evento adulto, o Pintinho de Brasília, voltado para as crianças, também não vai mais funcionar.
De acordo com a publicação, a diretoria não havia confirmado participação na programação oficial divulgada pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec), que foi divulgada na última terça-feira (14/2). No calendário enviado pelo órgão, o Pintinho e o Galinho desfilariam no sábado (18/2) e na segunda (20/2).
Eles explicaram ainda que pensaram em desistir de “colocar os blocos na rua” por causa dos “obstáculos apresentados por representantes do MPDFT, SSP/DF, Secec e Administração de Brasília”. O texto mostra ainda que o cancelamento foi escolha do conselho comunitário das quadras próximas ao Setor Bancário Sul, local definido para o Galinho este ano.
“[Deram voz] unicamente aos poucos membros do conselho comunitário, sem sequer fazer qualquer tipo de enquete ou pesquisa junto à comunidade de moradores das quadras SQS 402 a 404 e SQS 202 a 204 (pelo menos nada nos foi apresentado nesse sentido) para referendar as objeções do evento junto àquele conselho”, afirma o post. Eles dizem também que membros da equipe moram na região e nunca foram consultados sobre o assunto.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Entretenimento“Na contramão da cultura brasileira, estamos sentindo-nos desprestigiados, aliás, discriminados, com essas atitudes governamentais. […] O Galinho, bloco familiar e salvaguardador do frevo, Patrimônio Imaterial da Humanidade, vê-se mais uma vez impedido de desfilar em seu ‘terreiro’, como bem faz há mais de 30 anos, conforme reza a tradição, em razão de uma minoria egoísta, aculturada e intolerante, que ocupa-se em fazer pressão junto aos órgãos responsáveis pela coordenação e realização do Carnaval no DF.”
Ver essa foto no Instagram
Resposta da comunidade
Ao Metrópoles, o conselho comunitário da Asa Sul afirmou que o Galinho deveria apostar na saudade dos foliões para atraí-los a um novo local. Leia a íntegra da nota:
“No seu penúltimo desfile, em 2017, o Galinho chegou a anunciar que alcançou 80 mil foliões, e que chegariam a 100 mil no ano seguinte. Mas, em 2018, o Baby Doll de Nylon arrastou a multidão para si num local muito mais seguro e aceito pelos foliões, em frente à Torre de TV, de onde o som podia se propagar com muito mais qualidade.
Mesmo assim, em 2018, os moradores da SQS 202 tiveram novamente sua quadra ocupada por 40 mil foliões e, como sempre, foram obrigados a aceitar de tudo, inclusive vandalismo. Com as recomendações do MPDFT, o Conselho Tutelar pôde testemunhar adolescentes bêbados e assediados. Foi a gota d’água.
Em 2019, sendo obrigado a restringir seu trajeto pelo Eixo L, e alegando baixo financiamento, o Galinho não desfilou. Na verdade, o crescente conflito com a comunidade local afastou os financiadores.
Agora, em 2023, depois da pandemia, quando poderia apostar na saudade de seus foliões e atraí-los para um novo local, o Galinho amarga o dissabor de só contar com a verba da Secretaria de Cultura. Alegando perseguição pelo fato do GDF restringir seu trajeto, o Galinho desistiu de desfilar pela segunda vez. Mas, enquanto insistir no confronto, vai afastar patrocinadores.”
















